Pesquisar

Canais

Serviços

Publicidade
Entenda

Ministério da Saúde agora quer 'dia D' com 'aula virtual' a médicos sobre cloroquina

Natália Cancian - Folhapress
29 set 2020 às 09:34
- Carolina Antunes/PR
siga o Bonde no Google News!
Publicidade
Publicidade

Alvo de críticas, a programação de uma espécie de "dia D" contra a Covid-19, em planejamento pelo Ministério da Saúde para ocorrer no sábado (3), deve agora ser virtual e incluir aulas a médicos sobre o uso da cloroquina -remédio que não tem comprovação científica de eficácia para a nova doença.


Segundo a secretária de Gestão em Trabalho em Saúde, Mayra Pinheiro, entre as medidas previstas, está gravar vídeos para "médicos que foram assustados e desestimulados a tratar seus pacientes precocemente" com o medicamento.

Cadastre-se em nossa newsletter

Publicidade
Publicidade


"Esse dia D é um dia para a gente conscientizar os médicos que ainda têm medo porque sofreram muito bombardeio de sociedades médicas, de grupos que, por ideologia, eram contra o medicamento, que era a única coisa que a gente tinha quando a doença começou", disse à reportagem.

Leia mais:

Imagem de destaque
Neste sábado

Apenas 22% das crianças foram tomar a vacina contra dengue em Londrina; Dia D terá mutirão em shopping

Imagem de destaque
UNIDADE DO JARDIM DO SOL

Após desabamento de forro, UPA de Londrina pode ser transferida para prédio na Faria Lima durante obras

Imagem de destaque
PARA CRIANÇAS DE 10 E 11 ANOS

Cambé inicia vacinação contra dengue nesta terça-feira (27)

Imagem de destaque
Mais de 58 mil casos no PR

Brasil ultrapassa 650 mil casos de dengue; 94 mortes desde o início do ano


"Vamos mostrar todas as evidências científicas e estar no sábado no YouTube com programação de aulas para médicos e conscientização da população de que ela dispõe de um recurso que, se usado precocemente, pode melhorar o curso da doença."

Publicidade


Ainda não há, porém, comprovação de eficácia do remédio contra a Covid-19. Estudos randomizados e controlados, tidos como padrão-ouro, também não apontaram resultados positivos.


Questionada sobre esses dados, Mayra disse que esses estudos têm "metodologia frágil". Segundo ela, a ideia da pasta é trazer uma publicação com referências de pesquisas acompanhadas pela pasta e relatos de casos.

Publicidade


A estratégia deve ainda abordar outros remédios, como a ivermectina, afirmou. Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, negam que haja respaldo científico para um tratamento precoce com o medicamento.


A ideia de um "dia D" para estimular o "tratamento precoce" foi apresentada a representantes de secretários de Saúde e de entidades médicas na semana passada.

Publicidade


Entre as ações descritas na apresentação, obtida pela reportagem, a pasta listava a possibilidade de que o Exército distribuísse hidroxicloroquina para unidades básicas de saúde selecionadas, as quais ficariam abertas no sábado.


Antes, também sugeria verificar estoques e reforçar a distribuição de hidroxicloroquina para municípios interessados e que tenham condições de fracionar o remédio –doado pelos Estados Unidos em embalagens com doses maiores do que o habitual.

Publicidade


Previa ainda um pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro -o que a Secom nega-, além de cartazes sobre a necessidade de tratamento precoce, a serem colocados em pontos de maior circulação de pessoas, como shoppings e academias.


Profissionais envolvidos na divulgação também receberiam uma camiseta –cujo slogan seria desenvolvido pelo empresário bilionário Carlos Wizard, conhecido defensor da cloroquina e que chegou a ser cotado como secretário de Ciência e Tecnologia, mas não assumiu o cargo.

Publicidade


Em nota divulgada na sexta-feira (25), o ministério confirmou a intenção de fazer um "dia de conscientização para o cuidado precoce", mas negou a distribuição do medicamento na iniciativa. Disse ainda que a data está em análise.


A ideia, apontou, é que a ação integre uma campanha que vem sendo veiculada chamada de #NãoEspere. "O objetivo é garantir o direito e acesso da população ao tratamento precoce e evitar o agravamento da doença, reduzindo complicações, internações e óbitos", disse.
A proposta, porém, tem gerado desconfiança entre secretários estaduais de Saúde.

Publicidade


Em nota, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) disse defender que as pessoas com Covid-19 recebam atenção médica a partir dos primeiros sintomas, mas que isto "não deve significar o estímulo à utilização de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença".
Já Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems, conselho que reúne secretários municipais de Saúde, disse apoiar a ideia da data como forma de estimular medidas de prevenção.


"Vemos movimentação em bares, ruas, praças, todo mundo sem máscara. Não podemos baixar a guarda."


"Vai ter gente falando da cloroquina? Vai. Mas deixamos claro que a responsabilidade da prescrição é do profissional médico. O que não pode é a pessoa ter a doença e se isolar e ficar sem nenhum acompanhamento, porque a hora que piora vai para a UTI", disse Junqueira.


A proposta também é rebatida por especialistas.


Para a infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp, ter um dia D "seria uma ótima iniciativa para incentivar o uso correto de máscaras, conscientizar que a pandemia não acabou, que as pessoas não devem fazer aglomeração e proteger as pessoas com maior risco".

Segundo Stucchi, a orientação de procurar o médico de maneira precoce ajuda no diagnóstico e monitoramento, mas não há motivo para indicar a cloroquina. "Infelizmente não há uma medicação para prevenção ou tratar formas graves."


Publicidade

Últimas notícias

Publicidade