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Nova terminologia

Novo nome da varíola dos macacos será MPOX, segundo diretor da OMS

Samuel Fernandes - Folhapress
23 nov 2022 às 19:45

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 A OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciará um novo nome para varíola dos macacos: MPOX. A informação foi postada nesta quarta (23) por Lawrence Gostin, diretor do Centro Colaborador da OMS sobre Legislação Sanitária Nacional e Global (em livre tradução).


"A OMS está para anunciar MPOX como nova terminologia. Olhar vencido. Os estereótipos racistas da varíola dos macacos não eram apenas estigmatizantes, mas também impediam a resposta e diminuíam a cooperação", afirmou Gostin em trecho do post no Twitter. A própria organização, no entanto, não divulgou a informação de forma oficial.

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A mudança do nome do vírus já era discutida dentro e fora da organização. Em meados de junho, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou publicamente o desejo de alterar a denominação -uma consulta até mesmo foi aberta para a população propor novas possibilidades de nomenclatura.


O termo "monkeypox" -utilizado em inglês para denominar tanto a doença quanto o vírus que a causa– foi empregado em 1958 quando houve a primeira documentação do patógeno em primatas levados da África para a Dinamarca. É daí que vem o nome varíola dos macacos.


Mas pesquisas já indicam que esses animais não são os reservatórios naturais do patógeno. Além disso, o nome pode gerar confusões ao se pensar que a principal forma de transmissão da doença no surto atual ocorreria diretamente dos animais para humanos, podendo gerar casos de ataques aos animais. Na realidade, a disseminação atual acontece principalmente pelo contato direto com pessoas infectadas.


Um exemplo do equívoco gerado pelo nome foi de cinco macacos achados mortos e outros três resgatados com sinais de intoxicação no começo de agosto em São José do Rio Preto, interior paulista. Suspeita-se que os animais tenham sido atacados pela população devido a casos da doença.


Naquele momento, o assunto ganhou repercussão mundial, chegando à própria OMS. Ainda em agosto, a epidemiologista Margaret Harris, porta-voz da entidade, condenou a violência contra os animais e reiterou a intenção de encontrar um nome melhor para o vírus.


OUTRAS MUDANÇAS


Também em agosto, a OMS já tinha alterado os nomes de grupos e subgrupos do vírus com base em revisões feitas por especialistas em virologia e biologia evolutiva.


No momento, existem dois grupos documentados do patógeno. Eles são endêmicos (quando se tem um estágio de convivência com o vírus, com número estável de casos e mortes) em duas regiões da África: no oeste do continente e na região central. Até então, essas localidades eram utilizadas para se referir a dois clados (ou grupos) do vírus.


Com a alteração divulgada em agosto, o grupo do oeste africano passou a ser chamado de Clado I e aquele da região central do continente foi nomeado como Clado II. A mudança gera um padrão em que grupos do vírus devem ser referidos com algarismos romanos.


As mudanças também são aplicadas a dois subclaudos (ou subgrupos) do Claudo II. Nesse caso, os especialistas definiram que esses subgrupos passam a ser nomeados com uma letra minúscula alfanumérica após o algarismo romano: Clado IIa e Clado IIb.


No entanto, essas alterações não tinham efeito sobre o nome do vírus –algo que deve mudar conforme a publicação de Gostin.


O uso de novos nomes faz parte do guarda-chuva de responsabilidades da organização e são uma atribuição do Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, na sigla em inglês).

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Em agosto, fontes ligadas ao comitê já afirmavam que existia uma boa disposição para fazer mudanças, mas muitos apontam que uma alteração radical, com o abandono total do termo "monkeypox", poderia comprometer a literatura científica que vem sendo produzida sobre esse vírus há mais de 60 anos.

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