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Pesquisadores desenvolvem método no diagnóstico de doença renal crônica

Redação Bonde / Assessoria de Imprensa
21 nov 2014 às 17:08

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Projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou um dispositivo para diagnóstico de doença renal crônica a partir da detecção de biomarcadores, que são estruturas biológicas ou químicas presentes no organismo que indicam, por exemplo, anormalidades e patologias. A principal vantagem do método realizar a análise de maneira mais rápida e fácil.

A partir dos conceitos de Biologia Sintética, que se baseiam na criação de máquinas geneticamente modificadas, os pesquisadores desenvolveram o projeto "Kidney sensing - toward a bacterial biosensor engineered for early stages chronic kidney disease", que apresenta um sensor biológico que pode diagnosticar doença renal crônica em seus estágios iniciais de uma forma inovadora, rápida, simples e confiável.


Atualmente o diagnóstico de disfunções renais crônicas utiliza como biomarcador a creatinina. No entanto, os níveis dessa molécula são influenciados por fatores como idade, massa muscular, nutrição, etnia e o diagnóstico só é possível em estágios mais avançados da doença. A proposta da equipe é utilizar outra proteina, a Cistatina C, como biomarcador, pois não é influenciada por estes fatores e permite um diagnóstico mais precoce.


"O primeiro passo foi o design de um circuito genético que, pelo menos em teoria, fosse capaz de funcionar em um microrganismo, executando uma determinada tarefa. Neste caso, o microrganismo que usamos foi a bactéria Bacillus subtilis, cuja função era detectar os níveis de uma proteína sanguínea, a Cistatina C (Cys C), e distinguir entre os níveis normais de pessoa sadia e anormais de um paciente com doença renal da Cys C quando o sangue do indivíduo fosse colocado em contato com a bactéria", explica o professor Francis.


O projeto também conta com o desenvolvimento de um dispositivo de fácil aplicação com os reagentes necessários, capaz de tornar a tecnologia acessível à população em geral. "Além da construção do circuito genético na bactéria, foi necessário o desenvolvimento de microfluídica, a modelagem matemática (previsão do funcionamento do circuito genético no ser vivo por meio de equações matemáticas), artes e design, programação (computação) etc. Não há mais como enxergar a Biologia, a Matemática, a Química e a Física como áreas separadas. A ciência não pode mais ser feita fragmentada em áreas", complementa o docente.


O professor Francis explica que os biossensores e biodetectores bacterianos têm sido desenvolvidos para as mais diversas finalidades, apresentando um imenso potencial, desde a área de biorremediação até o diagnóstico de doenças. "A criação de máquinas geneticamente modificadas usando ferramentas de Biologia Sintética é uma grande revolução que já começa a ser sentida em todo o mundo, impactando diretamente as mais diversas áreas da sociedade", avalia o docente.


O dispositivo ainda está em processo de construção, mas os dados já apresentados são promissores. "Não temos ainda um resultado aplicável. Já construímos cerca de 60% do nosso circuito. Nosso principal resultado é uma prova de conceito, ou seja, demonstramos experimentalmente que nosso circuito pode ser construído dentro da bactéria.

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Além disso, um primeiro protótipo do dispositivo de microfluídica foi desenvolvido. Falta finalizar 40% da construção do circuito gênico e regular corretamente as concentrações dos reagentes para garantir a qualidade do nosso teste diagnóstico. São etapas futuras do trabalho" adianta Francis.


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