11/05/21
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Pessoas com câncer têm mais riscos de mortalidade pela Covid-19, diz estudo

Pixabay
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No momento em que várias áreas médicas defendem prioridade para seus pacientes na vacinação contra a Covid-19, novos estudos mostram que grupos de pessoas com câncer têm mais riscos de mortalidade pela infecção, o que poderia habilitá-los a receber a vacina primeiro.

O Plano Nacional de Imunização prevê que pacientes com câncer entrem na lista de prioridades em um momento futuro, mas os critérios ainda não estão claros.


Uma pesquisa do grupo Oncoclínicas, publicada no Journal of Clinical Oncology, acompanhou 198 pacientes oncológicos que tiveram Covid-19 entre março e julho de 2020. Desses, 33 morreram, uma taxa de mortalidade de 16,7%–seis vezes mais do que o índice global de mortalidade pelo coronavírus, de 2,4%.

Dos pesquisados, 167 (84%) tinham tumores sólidos e 31 (16%), câncer hematológico.

De acordo com o oncologista Bruno Ferrari, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Oncoclínicas, pacientes com idade superior a 60 anos, tabagistas, com comorbidades e com tumores avançados tiveram pior prognóstico ao contrair Covid-19.

As diferentes terapias, como quimioterapia, terapia hormonal, imunoterapia ou radioterapia, não foram associadas à mortalidade.

Segundo Ferrari, de maneira geral, o novo coronavírus não tem um impacto diferente em pessoas com câncer sem outras comorbidades.

"Mas esses pacientes muitas vezes estão em tratamento oncológico, usando drogas imunossupressoras, que não podem ser interrompidas. É um paciente que tem que sair, ir para clínica, e corre mais riscos de ser infectado. É um doente que precisa ser priorizado na imunização", afirma.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica encaminhou ofício ao Ministério da Saúde solicitando prioridade a esses pacientes. A estimativa é que 1,5 milhão de brasileiros estejam em tratamento oncológico.

No estudo, a maior taxa de mortalidade foi encontrada em pacientes com câncer do trato respiratório (43,8%), principalmente câncer de pulmão metastático, e tumores hematológicos, como linfomas e leucemia.

Outros estudos internacionais reforçam os dados brasileiros. Pacientes com LLC (leucemia linfocítica crônica) que desenvolvem a versão sintomática da Covid-19, por exemplo, têm um risco aumentado em 89% de hospitalização e 31% de morte.

A LLC enfraquece o sistema imunológico. A imunossupressão é tão grave que os pacientes são aconselhados a evitar vacinas com vírus vivo e atenuado, como as contra o sarampo e a febre amarela. Nenhuma das vacinas contra a Covid-19 tem essas características.

Um sistema imunológico enfraquecido também significa um risco maior de morte no caso de os pacientes contraírem a infecção.

Para Antoni Ribas, pesquisador do centro de pesquisa de câncer da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo, o risco elevado deste grupo diante de um diagnóstico de Covid justifica sua inclusão como prioridade para a vacina, principalmente em um momento de escassez de doses de imunizantes.

Na opinião do oncologista Drauzio Varella, a infecção por Covid-19 em pacientes com câncer não necessariamente está ligada ao maior risco de morte, mas a possível interrupção dos tratamentos.

"Pacientes de câncer não podem ter o tratamento comprometido, eles têm de seguir a sequência necessária para concluir o tratamento nas datas previstas. Nesse sentido, eles devem ser prioritários na vacinação."

O médico lembra, no entanto, que os diferentes tipos da doença vão dizer se é seguro ou não tomar a vacina, e que cada paciente deve consultar seu médico.

"Os cânceres do tipo linfoma ou as leucemias estão associados a uma deficiência imunológica, então nesses pacientes a vacina pode ser contraindicada, mas no caso de tumores sólidos, como de estômago, cabeça e pescoço, intestino, entre outros, não há, de modo geral, esse problema."

No entanto, ele avalia que em um momento de escassez de vacina até os grupos prioritários nessa primeira etapa da vacinação estão tendo dificuldades de receber a proteção contra Covid, o que pode levar a uma confusão de quem pleitear prioridade.

"Cada dia vejo novos grupos pleiteando prioridade. Qual o sentido de um profissional da área da saúde que não atua na linha de frente contra a Covid-19, como um biólogo, ser vacinado? Precisamos de uma organização do Ministério da Saúde nessa determinação, o que não temos até agora", afirma ele.

O oncologista clínico Rafael Kaliks, diretor científico do Instituto Oncoguia, faz a mesma observação. "O risco de uma manifestação grave da Covid-19 em doentes crônicos, por exemplo, com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), diabetes e, obesidade é tão grande quanto para os pacientes com câncer."

Para Kaliks, entre os pacientes oncológicos, a prioridade deveria ser para quem estiver em tratamento ativo do câncer e não para aqueles que já tiveram a doença.

Embora haja um consenso de que as vacinas demonstram segurança para os pacientes com câncer, ainda não existem dados suficientes sobre a eficácia delas para prevenir a infecção ou as formas graves da Covid-19.

Como nenhum dos estudos das vacinas selecionou pacientes oncológicos em tratamento, não é possível saber como elas vão se comportar nessa prevenção para esse grupo.

A recomendação de sociedades médicas nacionais e internacionais e de oncologistas é que os pacientes conversem com seus médicos antes de receber qualquer vacina, porque cada tipo de câncer e tratamento tem suas particularidades.

Há dúvidas, por exemplo, se a imunossupressão induzida pela quimioterapia ou o uso de corticoides poderia reduzir a proteção oferecida pela imunização contra a Covid-19. A orientação é evitar ser vacinado muito perto da realização dessas terapias.

"Na vacinação você está administrando uma proteína do vírus, esperando que o sistema imunológico faça uma reação, crie anticorpos contra a proteína do vírus , mas por conta da imunossupressão decorrente da quimioterapia ou do corticoide, o organismo não faria essa resposta e não produziria os anticorpos na quantidade adequada."

Mas as ressalvas não impedem que esses pacientes sejam vacinados o quanto antes, segundo os especialistas.
Cláudia Collucci e Ana Bottallo - Folhapress
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