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Risco de parada cardíaca aumenta até 4 vezes em pacientes com Covid-19, diz estudo

Ana Bottallo - Folhapress
05 fev 2021 às 09:27

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Divulgação/ Pixabay
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O risco de morrer após uma parada cardíaca, dentro ou fora do hospital, pode ser até quatro vezes maior em pacientes com Covid-19. Para as mulheres, esse risco pode chegar a nove vezes.


Esses são alguns dos resultados apontados em um novo estudo conduzido por pesquisadores da Suécia e publicado na revista European Heart Journal, nesta quinta-feira (4).

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A pesquisa avaliou os registros de paradas cardíacas entre os dias 1º de janeiro de 2020 e 20 de julho de 2020. Os dados incluíam tanto infartos sofridos em casa quanto os que ocorreram dentro do ambiente hospitalar.


No início da pandemia, alguns estudos já sugeriram que a alta incidência de infartos poderia estar relacionada à Covid. Em alguns dos lugares mais afetados pela pandemia, como o norte da Itália, dados de março já apontavam para um aumento de até 187% para infartos em casa.


O novo estudo, no entanto, é o mais detalhado em relação às formas e efeitos dos infartos sofridos antes e durante a pandemia, assim como dentro e fora de hospitais. Foram avaliados 3.044 casos de paradas cardíacas, sendo 1.964 fora de hospitais e 1.080 que ocorreram em ambiente hospitalar.


Para avaliar os efeitos da Covid-19 nessas paradas do coração, os pesquisadores dividiram os registros em dois grupos: um pré-pandemia, formado pelos casos de 1º de janeiro até 16 de março de 2020 –quando o governo sueco decretou o início da pandemia no país– e de 16 de março em diante.


Os registros também foram divididos em paradas cardíacas fora de hospitais (OHCA, na sigla em inglês) e paradas cardíacas dentro de hospitais (IHCA, na sigla em inglês). Do total de casos OHCA, 88 (10%) eram de pacientes confirmados com Covid-19, e nos casos IHCA, 72 (16%) pacientes foram acometidos pela doença.


No caso dos pacientes que tiveram infartos fora do hospital, o risco de morte após 30 dias do evento foi quase quatro vezes maior do que no período pré-pandemia. Já os casos que ocorreram dentro de hospitais tiveram aumento de letalidade em 2,3 vezes.


Houve diferença significativa quando considerado o sexo do paciente. Homens que sofreram ataques cardíacos em casa tiveram risco de morte 4,5 vezes maior, enquanto foi o triplo para mulheres. Já dentro de unidades hospitalares, o risco de morte após parada cardíaca no caso dos homens foi 50% maior, mas mais de nove vezes para as mulheres.


A maior diferença, no entanto, foi no chamado desfecho de sobrevida: 83,4% dos pacientes que tiveram paradas cardíacas em casa e tiveram diagnóstico confirmado de Covid-19 morreram em menos de 24 horas. Antes da pandemia, 7,6% dos pacientes sobreviveram após 30 dias do evento.


Para aqueles que sofreram a parada nos hospitais, 23,1% dos pacientes com Covid-19 sobreviveram após 30 dias do infarto, comparado a 36,4% dos pacientes pré-pandemia. Mais de 60% dos pacientes com o vírus morreram em 24 horas.


De forma geral, frente a um quadro de parada cardíaca, existem alguns procedimentos adotados que podem ajudar a impedir um quadro letal, como massagem cardiorrespiratória, uso de desfibriladores, injeções de adrenalina ou, em casos mais sérios, intervenções cirúrgicas para implante de stents.


Em alguns casos, quando a parada cardíaca acontece em casa, a demora para chegar ao hospital e receber atendimento médico pode ser fatal. Os pesquisadores consideraram também o tempo de ocorrência do infarto até o atendimento.


Como resultado, nenhum dos casos de infartos sofridos fora dos hospitais de pacientes com Covid-19 sobreviveu após hospitalização, enquanto 36% dos casos que ocorreram no hospital tiveram alta após a parada cardíaca.


É difícil estimar do total de paradas cardíacas relacionadas aos efeitos da Covid-19 ou aquelas que seriam decorrentes de outros problemas secundários, mas a influência da infecção no sucesso de sobrevida ou não é evidente, diz Pedram Sultanian, aluno de doutorado na Universidade de Gothenburg (Suécia) e primeiro autor do estudo.


"Nosso estudo mostra claramente que infartos e Covid-19 são uma combinação letal. Pacientes com Covid devem ser monitorados intensivamente, e medidas para prevenir paradas cardíacas devem ser tomadas, como por exemplo o uso contínuo de monitores cardíacos nesses pacientes de alto risco."


Como os pacientes com Covid-19 sofrem com falta de ar, uma das possíveis causas associadas com a alta mortalidade fora do ambiente hospitalar é o tratamento por massagem cardíaca simples, sem ventilação acessória (que pode ser o famoso "boca a boca", se ocorrer fora de uma ambulância, ou o uso de balões de oxigênio nesses transportes).


"Embora a literatura mostre que a aplicação de massagem cardíaca simples por pessoas não-especialistas pode ser tão efetiva para a sobrevivência quanto a massagem associada à ventilação, isso parece não se aplicar para os casos de pacientes com Covid-19, uma vez que o principal sintoma apresentado por eles é a falência respiratória", diz o artigo.


O estudo, porém, possui algumas limitações. Os dados se referem somente à região de Estocolmo (Suécia). O país, embora tenha sido um dos que sofreram com a pandemia, foi o único no continente europeu que não adotou um lockdown ou medidas mais duras contra a pandemia. As autoridades entenderam que seria melhor "deixar a pandemia rolar solta", com a economia aberta, para atingir a chamada "imunidade de rebanho".


Após diversas críticas, inclusive tendo em base a alta taxa de mortalidade por 100 mil habitantes (118,2, até o último dia 3 de fevereiro; no Brasil a taxa é de 107,2), o governo voltou atrás, mas já era tarde. Houve relatos de idosos morrendo em casa por não terem leitos nos hospitais.


O fato de os ataques cardíacos terem ocorrido em casa pode indicar que, mesmo sem as medidas restritivas, parte da população fez algum tipo de distanciamento social.

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Mas podem, também, indicar um sistema de saúde pressionado e sem capacidade de assistência para esses pacientes, possivelmente evidenciado pelo fato que, até o momento de conclusão do estudo (em julho de 2020), nenhum paciente com Covid-19 que sofreu ataque cardíaco em casa sobreviveu.


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