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Transmissão de coronavírus no Brasil completa 7 semanas fora de controle, indicam cálculos

Ana Estela de Sousa Pinto - Folhapress
10 jun 2020 às 08:29

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Reprodução/Pixabay
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O número de pessoas para qual cada infectado transmite o coronavírus (a chamada taxa de contágio) caiu no último mês no Brasil, mas completou a sétima semana seguinte acima de 1, o que indica transmissão ainda fora de controle.

Nos cálculos feitos para esta semana por um dos principais centros de acompanhamento de doenças infecciosas, no Imperial College (Reino Unido), a taxa de contágio do Brasil é de 1,08, ou seja, cada 100 pessoas com o vírus o transmitem para 108, ampliando o alcance da doença.

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Para que o contágio seja considerado sob controle, a taxa deve ficar abaixo de 1, como ocorre por exemplo na Alemanha (0,83), em Portugal (0,79) ou nas Filipinas (0,7).


O Brasil apresenta o 22º maior número entre 48 países acompanhados pelo Imperial College por terem transmissão ativa: registraram ao menos dez mortes em cada uma das duas semanas anteriores à que começou neste domingo (7) e um total de no mínimo cem mortes desde o começo da pandemia (os Estados Unidos são analisados à parte, por estado).


O centro britânico estima que 7.780 (variando de 6.710 a 8.620) mortes por coronavírus ocorram no Brasil nesta semana, o maior número entre todos os países. Em segundo lugar vem o México, com 5.560.


Na outra pota da lista está a Espanha, que já foi uma das nações mais afetadas pela epidemia no mundo, mas conseguiu controlá-la após uma quarentena rígida e já registrou vários dias sem mortes. Pelos cálculos do Imperial College, o país ibérico deve ter 5 mortes nesta semana (de 0 a 14) e sua taxa de contágio está em 0,08.


Os pesquisadores optaram por fazer previsões de mortes, e não de casos, porque consideram que as estatísticas de óbitos são menos sujeitas a subnotificações que os registros de casos.


Como estão prevendo mortes, as taxas de contágio estimadas refletem o momento da infecção. O estudo também analisa a precisão dos dados divulgados sobre casos de coronavírus no país. Para isso, eles partem da premissa que os óbitos equivalem a 1,38% dos casos relatados, e estimam qual deveria ser o número de casos para as mortes que foram divulgadas cerca de duas semanas depois (média de 10 dias, com desvio padrão de 2).

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Pelos cálculos do centro de epidemiologia, os números de casos reportados pelo Brasil são 26% dos que seriam esperados pelo número de mortes relatadas, o 34º menos preciso entre os 48 países. No Chile, por exemplo, esse dado é 71,6%, e na Espanha, 100%.


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