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Veja o que se sabe sobre a nova variante de Covid, B.1.1.529

Ana Estela de Sousa Pinto - Folhapress
26 nov 2021 às 11:30

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Cottonbro/Pexels
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Detectada no começo desta semana, uma nova variante do Sars-Cov-2, que causa Covid, gerou uma grande onda de preocupação em vários países do mundo.


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Ainda é cedo para entender seus efeitos sobre o contágio, a gravidade da doença ou a eficácia da vacina, mas, como ela apresenta muitas mutações, governos preferiram se antecipar enquanto forças-tarefa de cientistas trabaham "24 horas por dia" para entendê-la.


Veja algumas perguntas e respostas sobre o novo mutante.


Quando ela foi detectada?


Na terça (23), cientistas começaram a chamar a atenção para uma variante com um grande número de mutações, algumas descritas como "terríveis", na proteína S (de spike, ou espícula), usada pelo Sars-Cov-2 para entrar nas células humanas.


Na quarta (24), ela recebeu o "nome" (classificação dentro das linhagens de coronavírus) de B.1.1.529.


Onde ela apareceu?


O sequenciamento foi feito na África do Sul, o que não quer dizer que a variante tenha surgido lá. O país tem investido na vigilância da pandemia e no sequenciamento genético do coronavírus, o que aumenta suas chances de encontrar mutantes.


Por que os cientistas se preocuparam?


Um dos primeiros virologistas a alertar para a variante, Tom Peacock, do Imperial College de Londres, ressaltou que as mutações feitas na proteína S eram as "mais horríveis" já vistas, e que era a primeira vez que ele via não uma, mas duas mutações "no local de clivagem da furina".


O diretor do Ceri (centro para resposta a epidemias e inovação da África do Sul), Túlio de Oliveira, afirmou na quinta (25) que a variante surpreendeu os virologistas, porque "deu um grande salto na evolução e tem muito mais mutações do que se esperava.


A variante apresenta 50 mutações no total e mais de 30 na proteína S, as mais preocupantes, porque é a partir dela que são produzidas as vacinas.


Se sua estrutura é muito alterada em relação à usada para a produção de vacinas contra Covid, há preocupação de que os imunizantes percam eficácia contra a variante.


Isso quer dizer que as vacinas não funcionam contra essa variante?


Não há pesquisas suficientes ainda sobre como a variante atua nem como reage às vacinas e anticorpos de quem desenvolveu imunidade natural.


Quando será possível saber se a variante consegue driblar a vacina?


Nesta quinta (25), a OMS afirmou que pode levar algumas semanas até que se entenda melhor o impacto da nova variante.


A variante é mais contagiosa?


Ainda não se sabe. O diretor do Ceri (centro para resposta a epidemias e inovação da África do Sul), Túlio de Oliveira, afirmou na quinta (25) que a B.1.1.529 "tem potencial para se espalhar muito rapidamente", e que os cientistas estão trabalhando "24 horas por dia" para entender os efeitos da nova variante em cinco pontos: 1) transmissibilidade; 2) efeito das vacinas; 3) possibilidade de reinfecção; 4) severidade da doença, e 5) diagnóstico.


Por que se suspeita que ela seja mais contagiosa?


Dados preliminares apontam que a variante aumentou rapidamente na província de Gauteng, a mais populosa do país e que inclui Pretória e Johannesburgo, e já pode estar presente nas outras oito províncias do país.


Segundo o diretor do Ceri, a vigilância genômica aponta que a B.1.1.529, em menos de duas semanas, já sobressai em relação às infecções pelas outras variantes da Covid, logo após "uma devastadora onda da delta".


Pesquisadores afirmam que cerca de 90% dos novos casos em Gauteng poderiam estar associados à variante B.1.1.529.


O NICD (Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul), porém, não atribui o crescimento de caso locais à nova variante.


No país, que vacinou completamente 24% de sua população, cerca de 2.500 casos novos foram registrados na quinta, contra 100 no início do mês.


A variante terá o nome de uma letra grega?


Possivelmente. Isso deve ser decidido em reunião na tarde desta sexta, pela OMS, que atribui letras gregas a mutações que considera como variantes "de atenção" (que devem ter seus efeitos acompanhados) e "de preocupação" (que são mais transmissíveis ou causam mais danos, como a alfa e a delta, por exemplo).
A próxima letra a ser atribuída é a nu (pronuncia-se niu), a 13ª do alfabeto grego.


Se ainda não há evidências sobre o impacto da variante, porque países estão proibindo voos e impondo quarentenas?


Por precaução, já que os cientistas chamaram a atenção para o potencial de risco, por causa do grande número de mutações na proteína S.


Onde há casos sequenciados?

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Até esta quinta (25), havia 77 casos confirmados na província de Gauteng, na África do Sul, 4 em Botswana e 1 em Hong Kong (diretamente relacionado a uma viagem da África do Sul).

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