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Nossas aventuras na máquina do tempo

04 jun 2016 às 11:56
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Em 1941, o padre alemão José Kentenich foi preso pelos nazistas. Ele permaneceu quatro semanas na solitária, em completa escuridão. Os oficiais da Gestapo haviam transformado uma antiga agência bancária de Coblença em quartel-general. O caixa-forte do banco era utilizado como cela de isolamento. O Padre Kentenich, fundador da Obra de Schoenstatt e do Colégio Mãe de Deus, passou os 28 dias de sua escuridão rezando e cantando. Seus únicos contatos humanos se deram nos momentos em que um soldado lhe levava a refeição diária e em duas breves ocasiões, para ser submetido a um interrogatório e fazer a fotografia oficial para os arquivos da Gestapo.

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O objetivo daquela ação era bastante claro: a Gestapo desejava quebrar o ânimo dos resistentes ao governo nazista. Na maioria das vezes, dava certo. Depois de três dias, os prisioneiros saíam do isolamento enlouquecidos e alquebrados, prontos a assinar qualquer papel que lhes pusessem diante dos olhos. No entanto, por alguma razão, a tática não funcionou com José Kentenich. Ao final das quatro semanas, o padre de Schoenstatt saiu da cela sorrindo e agradeceu aos carcereiros: "Finalmente, tive um pouco de férias!" Tempos depois, ele seria confinado ao campo de concentração de Dachau, onde passou três anos e ao qual milagrosamente sobreviveu.

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Eu e Pedro ultimamente temos brincado de máquina do tempo. Transformamos um quartinho aqui do nosso prédio no incrível equipamento que percorre diferentes épocas da história humana. Somos os temponautas, e estamos escrevendo um livrinho sobre nossas aventuras. Quer dizer, o escritor e desenhista é ele; eu sou apenas o revisor. Em certo momento de nossa brincadeira, digo, expedição, realizamos uma jornada pela escuridão na escadaria do prédio. O objetivo é fazer com que os temponautas se acostumem à completa falta de luz por alguns minutos. No começo, Pedro ficou com um pouquinho de medo do escuro. Agora ele está se acostumando, principalmente depois de ter tomado a poção mágica antimedo (cá entre nós, suco de laranja).


Mas, quando não estamos brincando de temponautas e as trevas se abatem sobre nós, a melhor saída é fazer como o Padre Kentenich: rezar e cantar. Um dos meus exercícios espirituais, nos últimos tempos, tem sido imaginar tudo que se passou pela mente do bom padre naquelas quatro semanas de enclausuramento.


A D. Ruth, minha oitava leitora, está se recuperando de uma cirurgia nos olhos e a sua filha Lenise tem feito a delicada gentileza de ler a #AvenidaParaná para ela. Sei que a Ruth vai recuperar a visão perfeita em breve, mas por enquanto a deixo com essas duas histórias: a de um profeta do nosso tempo, vítima da opressão coletivista, e a de dois temponautas, pai e filho, que tentam se adaptar ao claro-escuro do mundo. Quem tem olhos de ver, veja.

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