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O céu de Londrina é o avesso da tempestade

15 jun 2016 às 15:00
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Pedro ficou triste com a derrota do Brasil para o Peru na Copa América. Apesar do mau futebol apresentado pela seleção de Dunga, o resultado foi injusto, porque o gol peruano, como se pôde ver, foi marcado com a mão. "Ele fez o gol com a mão, papai – e de propósito!", reclamou Pedro. É duro ver um menino de seis anos tomando consciência de uma transgressão pela primeira vez. Duro, mas necessário. Pois o mundo é assim: imperfeito como uma seleção de Dunga, injusto como um gol de mão.

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Imediatamente me lembrei daquele dia, 5 de julho de 1982, em que a família estava reunida em casa para assistir ao jogo entre Brasil e Itália, pela Copa do Mundo. Poucas vezes chorei tanto como naquele dia, quando a seleção de Telê foi derrotada por 3 a 2.

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Mas eu não deveria chorar em 1982. Ali, ao meu lado, estavam as pessoas que eu mais amava, e que agora não se encontram mais aqui. Mãe. Pai. Vô Briguet. Vó Maria. Daqueles que viram a derrota do Brasil no fatídico 5 de julho, restou apenas a minha querida irmã Fernanda. Felizmente, o tempo e a vida trouxeram outros seres amados para ver o jogo ao nosso lado.


Na noite de sábado, vivi um momento inesquecível. Foi durante o show das Cluster Sisters, talentosas cantoras londrinenses, que fizeram uma apresentação de gala, antes da excelente Traditional Jazz Band.


Entre o aplauso e a próxima canção, sempre existe um pequeno instante de silêncio e expectativa. De repente, ouvi as primeiras notas de "Sway". Em inglês, a palavra quer dizer "balanço". Balanço do mar, do vento, das viagens. Balanço da vida.

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"Sway" é a adaptação de um lindo mambo composto pelos mexicanos Luis Demetrio e Pablo Beltrán Ruiz. Originalmente, a canção se chamava "¿Quién será?". Eu adoro essa interrogação de cabeça para baixo no começo das perguntas em espanhol. Parece-me uma delicadeza linguística, a nos informar que uma questão está a caminho.


Ao final da canção, segurei as mãos da minha amada Rosângela e disse:


– Que música linda. Só ela já valeu o show.


Rô respondeu, emocionada:


– Me fez lembrar a sua mãe.


Aracy amava essa música. A intensidade da emoção estava perfeitamente explicada: por meio daquela melodia, minha mãe se fez presente ao nosso lado.


Olhando o céu de Londrina na manhã seguinte – o céu de azul intenso, de uma beleza que chegava a doer –, recebi as primeiras notícias sobre o massacre nos Estados Unidos.


O céu de Londrina e a canção daquela noite são o avesso da tempestade do mundo – a presença de um amor que jamais nos abandonará.

¿Quién será? É o nosso coração.


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