31/10/20
Adriano Alves Fiore
Adriano Alves Fiore
03/01/2010 - 21:32
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Desde as primícias da História da Humanidade, ou seja, do início da contagem regressiva para o Fim do Mundo - ou do Infortúnio da Natureza e Planeta Terra acelerado pela ação do homem -, o homo bobbus erectus (também conhecido como: de "quattrus") sapiens sapiens (Sabichão mesmo?!...) vem procurando responder às perguntas básicas: O que é a razão? A consciência? Quem sou? De onde venho? Para onde vou?... A esta última questão a resposta é óbvia: pro buraco! Ou, se preferirem: pro espaço!
A Filosofia - talvez a primeira ciência constituída – e seus seguidores mais bem-dispostos (os filósofos) vêm buscando pôr um pouco de ordem e organização no processo de estudar a variedade infinita de ideias e assuntos que dizem respeito à vida humana.
Missão impossível, haja vista as atividades normais da maioria esmagadora do "bicho (Que me perdoem todos os outros metazoários... Sem ofensa!) homem" limitadas a: passar o vizinho pra trás, mentir o tempo todo, disfarçar solidariedade, fingir bondade, gabar-se de qualquer "vantagem", maldizer até destruir os sonhos alheios, apressar a morte do testamenteiro (a) agonizante para rapinar o que estiver ao alcance (bem rapidinho) antes da chegada de outros (as) abutres (Agora que me perdoem as aves falconiformes da família dos vulturídeos!), etc., etc., etc. Uma autêntica feira macabra de vaidades!... Uma verdadeira e canibalesca festa ou gaudério de gentes, temperada com todos os quitutes e requintes de maldade idiossincrática humanal! Não à toa e absoluta razão, o sapientíssimo jornalista (avis raríssima no ramo, infelizmente) e paremiógrafo norte-americano Henry Louis Mencken (1880 -1956) assestava: "Na história humana não há registro de um filósofo feliz: só existem nos contos da carochinha. Na vida real, muitos cometeram suicídio; outros mandaram seus filhos porta afora e surraram suas mulheres. Não admira. Se você quiser descobrir como um filósofo se sente quando se empenha na prática de sua profissão, dê um pulo ao zoológico mais próximo e observe um chimpanzé na sua chatíssima e infindável tarefa de catar pulgas. Ambos – o filósofo e o chimpanzé - sofrem como o diabo, mas nenhum dos dois consegue ganhar.".
Nem pode. Como alguém pode se sentir feliz ou satisfeito: assistindo aos noticiários, que apenas mostram violência, impunidade e injustiça das mais variadas matizes e tamanhos; ou vendo programas de "entretenimento", que tão-somente tratam de ridicularizar pessoas comuns (Do "povo"!) frente às câmeras, assim como de expor publicamente a vida – Por via de regra, pra lá de fútil, desgraciosa e superficial! - das celebridades e/ou "olimpianos" (as) universais... Impossível.
Contudo, Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) , um tremendo filósofo, cara "batuta" (gente boa) e cidadão romano (nascido em Córdoba, Espanha), pretendia encontrar uma fórmula para enfrentar os problemas da vida e da mortalidade. Bom, não era pra menos, tinha de ser otimista mesmo; afinal ele teve de encarar Calígula, Claúdio e Nero sucessivamente! Contrariando Mencken, afirmava: "O sábio autêntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturbável; vive em pé de igualdade com os Deuses.". Inclino-me mais a dar ouvidos ao pensador estadunidense, mas Sêneca é merecedor de todo respeito e atenção.
A Humanidade sempre forneceu "finíssima" matéria-prima para os gênios da pena (hoje das tintas e das teclas de computador), tais quais: Homero (através da transmissão oral, supõe-se que era cego), Miguel de Cervantes, Molière, Jonathan Swift, Shakespeare, Voltaire, Balzac, Oscar Wilde, George Bernard Shaw, Paulo Francis e tantos outros "espíritos" iluminados. Recorro ao insubstituível Voltaire, quando dizia que nunca os filósofos seriam donos de igrejas ou seitas religiosas porque não escrevem para o povo e porque não são seus entusiastas. A salvação para toda essa porqueira (de novo peço desculpa, agora, aos mamíferos da ordem dos artiodáctilos, não ruminantes, ou aos suínos) mundial e globalizante pode vir através da Música. Passei por essa situação, na década de oitenta; eu e milhões e milhões e milhões de outros garotos. Atualmente, somos senhores. Na época, era o nosso Velho Testamento: o Rock and Roll e o Hard Rock dos anos 70 e o nosso Novo Testamento: o contagiante Heavy Metal "oitentista"!
Muito bem diz Ben McCrow (vocalista do grupo The Rotted): "(...) Heavy Metal é um modo de viver, de pensar, de recusar todo o lixo que a sociedade mainstream tenta nos empurrar goela abaixo.".
A professora e escritora Rachael Sotos (do Departamento de Ciências Humanas, The New School, New York, NY) também dá o seu recado: "O Rock and Roll sempre foi uma música de liberdade, tratando da expressão da liberdade nas mais variadas formas: desejo sexual, não-conformismo e rebeldia".
Não raro questionam-me a respeito da antinomia (contradição) que poderia existir entre duas grandes paixões minhas: a Literatura Clássica e o Hard Rock/Heavy Metal. Fácil, "molim-molim" de responder. Em primeiro lugar, sofro afirmando que, se alguém, ainda, no século XXI - era da comunicação fácil e irrestrita – nunca chegou a conhecer direito ou a conversar com um fã de Heavy Metal é... Um alienado ou uma alienada. Em segundo e último, os maiores autores de todos os tempos, assim como os verdadeiros amantes do Rock Pesado hoje, faziam correr em suas veias a sublime, combativa e majestosa seiva do não-conformismo, eterno e poderoso antídoto contra o servilismo mental e perceptivo (relativo aos sentidos) sempre tão em moda.
Encerro essa segunda viagem pelo onírico universo infinito do Heavy Metal, da Grande Literatura e da Filosofia com as palavras mortuárias do imortal escritor irlandês, autor de Viagens de Gulliver :

"Aqui jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em Teologia e deão desta catedral (Saint Patrick em Dublin, Irlanda), onde colérica indignação não poderá jamais dilacerar seu coração. Segue passante, e imita, se puderes, este que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade".
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Adriano Alves Fiore
 
Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e em Comunicação Social e Jornalismo pela Faculdade Pitágoras, Campus Metropolitana de Londrina. Como aluno especial na UEL, tem participado dos cursos de: Estudos da Linguagem (2004 e 2006), Ciências Sociais (2006) e História Social (2010). É mestre em Comunicação Visual pela UEL (2011) e doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2015). Membro da comissão organizadora, ministrante de minicursos e coordenador de simpósio temático do VI ENEIMAGEM (Encontro Nacional de Estudos da Imagem) e III EIEIMAGEM (Encontro Internacional de Estudos da Imagem) de 2019 (UEL). Sócio-cultural ou membro- colaborador da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.



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