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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
11/10/2019 - 03:32
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Foto: Pixabay

Hoje sou uma senhora de 48 anos e me sinto desgastada. Sempre procurei por um propósito na vida e nunca o encontrei. Nunca senti amor de deixar as pernas bambas, nunca senti que tivesse talento para algo. Só fui vivendo e me deixando levar pelas circunstancias da vida. Sou muito questionadora e sempre leio livros espirituais, no entanto só tenho perguntas e nenhuma resposta. Será que toda vida tem sentido? Como fazer para encontrá-lo? Fico em dúvida sobre essas questões, mas já desisti de qualquer revelação. O que diria para uma senhora como eu?

O que quer dizer ser uma senhora? Que significado você coloca ao se apresentar desta forma? Arrisco um palpite. Creio que ao se autorreferir como uma senhora você queria dizer que se acha velha e que se encontra sem esperanças na vida, como se só uma moça muito jovem pudesse sentir esperanças. Erra nos dois casos, pois 48 não torna ninguém velha e a esperança é de quem a permite tê-la, não apenas para os muitos jovens.

Você está cheia de questões e fico me perguntando se não é disso que você gosta. Você parece valorizar muito as questões, no entanto, não valoriza pensar sobre elas, como se só o fato de questionar fosse trazer as respostas que você procura. Fica presa num círculo, aonde vai atrás das perguntas, mas jamais vai ao encontro de respostas.

É estéril, ou seja, sem resultado algum a sua pergunta "Será que toda a vida tem sentido?”. A pergunta que você poderia fazer é "qual o sentido que você dá à sua vida?" Fazer perguntas muito gerais é uma maneira de não ter que se comprometer consigo e o que lhe parece mais lhe faltar é justamente comprometimento com sua vida. Com a falta de compromisso só resta mesmo deixar as circunstâncias da vida te levarem.

O que lhe acontece é medo de viver e de se deparar com suas próprias experiências de vida. As respostas que você tanto busca não vão ser encontradas em livros, mas apenas através das experiências. Você dizer nunca ter amado me dá a ideia de que tem medo de se entregar e que prefere se refugiar na teoria e deixar de lado a prática. Só que ninguém vive na teoria e para sair dela é necessário coragem. A vida não pode ser encarada como um exercício intelectual, pois ela é acima de tudo uma experiência. Que tal rever como você se vê?

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Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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