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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
18/10/2019 - 15:45
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Foto: Pixabay

Oi Sylvio! Li seu post que você respondeu a uma mulher que quer ter vários parceiros. É estranho ler aquilo mas também é tranqüilizador para as mulheres se sentirem normais. Eu tenho 27 anos e sou uma mulher bonita. Já namorei e sempre gostei de sexo. E eu gosto de me masturbar. Não sei porque todo mundo acha que mulher não se masturba ou não gosta disso. Mas eu gosto, mas ao mesmo tempo também me sinto culpada. Estudei com freiras e elas sempre impuseram a noção de pecado na masturbação. Mas se é pecado para homens e mulheres e os homens continuam a fazer isso até descaradamente, por que nós mulheres não podemos? Não é justo. Um dia com meu namorado eu comecei a me masturbar na frente dele para mostrar como era que eu gostava de ser tocada e ele tentou não ficar, mas ficou constrangido, como se isso fosse errado. O que você pode falar do sentimento de culpa nesse caso?

O corpo é fonte de prazeres e uma pessoa se tocar é se dar auto-prazer. A sexualidade pode ser algo bom e faz parte da natureza. Segundo a visão da igreja isso é um pecado, pois para a igreja o prazer sexual não é visto com bons olhos. Como se fosse possível vencer a natureza e negá-la. Quando a igreja, ou qualquer outra instituição, ou qualquer pessoa, combate a natureza tentando transformá-la em algo errado e sujo, cria-se a culpa.

A culpa, então, nasce quando desejamos algo que é tido como pecaminoso e feio de se viver. Alia-se a isso todas as ameaças que são impostas como forma de punição por alguém desejar seguir a própria natureza. Sexo desperta curiosidade e traz grande prazer e todos somos seres sexuados. É natural que queiramos experimentar.

Houve épocas em que a masturbação era até considerada, por médicos, fonte de muitas enfermidades, o que servia ainda mais para aumentar a culpa das pessoas. Hoje se sabe que a masturbação é uma forma saudável da pessoa aprender e viver sua sexualidade. Ela não causa doença nenhuma e é um direito de quem quiser praticá-la, incluindo as mulheres.

As mulheres na História ocuparam uma posição submissa e para quem fica nessa posição muitos prazeres são negados. Por serem consideradas apenas como objetos elas não tinham direito de se manifestar e revelar seus desejos, principalmente o sexual. Não é à toa que em muitas culturas ainda se pratica a extirpação do clitóris em muitas mulheres, como forma de tirar delas o prazer e o desejo. Quem deseja se expressa e começa a questionar as coisas. Para quem quer que as mulheres não questionem nada é melhor do que acabar com seu desejo, assim elas passam a ser controladas.

Felizmente, o mundo hoje está melhor, em muitos lugares, para as mulheres, que podem descobrir como fazer uso de sua sexualidade e viver uma vida mais plena.
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Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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