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O TEMPO

24 abr 2015 às 15:00
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O Tempo

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Há o tempo de a vida acontecer e o tempo de narrar o que aconteceu. Um tempo físico (tempo do agora) e um tempo literário.


Narrar é resgate, lembrar o que se viveu, não importa há quanto, um minuto ou um século. Literatura é memória. Indo além, a arte é memoria. É lá, nesse relicário que buscamos os objetos da construção dos contos, romances, poemas. Num canto se apanha um rosto, uma voz, noutro uma paisagem, noutro ainda uma dor ou uma alegria.

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Como na musica, notas longas, notas breves, o compasso, a modulação do desejo. Cabe ao escritor, não importa sua estatura, reconstruir mundos, recuperar emoções, paisagens, fatos, reconstruir homens, cidades, épocas, costumes, amores, desamores. Cabe a ele esse inventário das coisas do mundo e dos homens. E muitas vezes dizer o que ninguém diz. O que seria de nós, sem essas reconstruções, sem essas reproduções de vida, repassadas infinitas vezes, como que a lustrar com a flanela do tempo? A vida se encurtaria e perderia a profundidade, a experiência da tradição.


Na literatura, sabemos, não há o compromisso com a fidelidade do acontecido, tarefa destinada aos historiadores. Se a história é ação do homem no tempo e coube a eles, historiadores, a missão de falar do mundo como foi, resta ao poeta descrever o mundo como deveria ter sido. Cabe ao escritor narrar o tempo e a vida sem o compromisso com a verdade e a sinceridade. Mundo de imaginação.

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Aprendendo com o mestre Machado de Assis: que melhor que ninguém resumiu o tempo:

"...tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro."


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