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Provocou oposição

Bolsonaro anuncia panelaço a favor de seu governo nesta sexta

Folhapress
31 dez 2021 às 11:29
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O presidente Jair Bolsonaro fez uma provocação aos opositores e, em post em suas redes sociais nesta sexta-feira (31), disse que um panelaço previsto para esta noite será em comemoração a três anos sem corrupção em seu governo.

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O presidente fará às 20h30 um pronunciamento de seis minutos em cadeia de rádio e TV. O vídeo foi gravado no início da semana, em Brasília, antes de sua viagem de folga ao litoral de Santa Catarina.

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"Hoje, dia 31 às 20h30, panelaço da esquerda para protestar contra o Governo Bolsonaro por estarmos, há três anos, sem corrupção", escreveu o presidente em suas redes sociais. No mesmo horário, adversários do presidente convocam um panelaço contra Bolsonaro.


O combate à corrupção, enaltecido por Bolsonaro, é tratado de maneira pouco enfática no governo. Sempre que confrontado com suspeitas envolvendo aliados, amigos e familiares, o presidente critica imprensa, Ministério Público e Judiciário, enquanto alvos são mantidos nos cargos.


Em novembro de 2018, após eleito, Bolsonaro afirmou que ministros alvo de acusações contundentes deveriam deixar o governo, o que não se concretizou na prática.

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O ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), por exemplo, seguiu no governo após ter sido indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas sob acusação de envolvimento no caso das candidaturas laranjas do PSL.


Desde que assumiu a Presidência, Bolsonaro contesta ações de órgãos de controle para investigar seu núcleo familiar, por exemplo.


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado em um esquema de "rachadinhas" na Assembleia do Rio. E o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) é suspeito de abrigar funcionários fantasma na Câmara Municipal do Rio.


Foi ainda no primeiro ano de mandato que tomou a decisão que mais impactou a agenda anticorrupção no país, na avaliação da maioria dos especialistas ouvidos pela Folha.


Para eles, apesar de legal, a indicação de Augusto Aras para o comando da Procuradoria-Geral da República, ignorando a lista tríplice dos procuradores, feriu a independência que o cargo demanda.


Crítico à atuação da Lava Jato, Aras travou diversas quedas de braço com os procuradores de Curitiba, até que, após um ciclo de desgaste perante à opinião pública e os indícios de parcialidade, a força-tarefa da capital paranaense foi dissolvida sem gerar comoção, como não ocorreria em outros tempos.


Além disso, para evitar a abertura de um processo de impeachment, Bolsonaro intensificou a ampliação de sua base aliada por meio da antes contestada política do tomá-lá-dá-cá, com a entrega de cargos e recursos federais para parlamentares aliados do governo, em especial do chamado bloco do centrão.


O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília Ueslei Marcelino - 24.Nov.2021/Reuters Bolsonaro, um homem branco de cabeços castanhos grisalhos, vestindo terno escuro e com os braços abertos na frente do corpo, gesticulando enquanto fala. 


Ao fundo dele, uma bandeira do Brasil ** O panelaço convocado para a noite desta sexta-feira ocorre no momento em que o presidente é alvo de críticas por fazer ostentação de seu lazer nas praias de Santa Catarina em meio à tragédia das chuvas na Bahia.


Como mostrou a Folha de S. Paulo, as recentes cenas dos momentos de folga de Bolsonaro, enquanto a Bahia enfrenta crise, têm constrangido aliados e membros do governo federal.


Parlamentares da oposição ainda intensificam as críticas e cobram que o mandatário suspenda os dias de praia para liderar a ajuda diante da tragédia na Bahia.


Na última terça-feira (28), por exemplo, a hashtag #BolsonaroVagabundo entrou na lista de "assunto do momento" do Twitter. Já na quinta (30), Bolsonaro andou de trenzinho e participou de um show de derrapagens de carro no parque Beto Carreto.


Recente pesquisa do Datafolha mostrou que, para os brasileiros, Bolsonaro é o pior presidente da história do país. Ele é citado por 48% dos entrevistados, reflexo de sua queda de popularidade em razão da crise econômica e da má gestão da pandemia.


Em entrevista à Folha nesta semana, o governador Rui Costa (PT) diz que o enfrentamento às chuvas que assolam a Bahia e já causaram ao menos 24 mortes é o maior desafio de sua gestão.


As enchentes destruíram estradas, inutilizaram estoques de medicamentos e vacinas e deixaram mais de 90 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.


Questionado se aguardava a visita do presidente, Costa respondeu que não tinha essa expectativa. "O presidente durante toda a sua gestão demonstrava desprezo em relação à vida humana (...) Ele não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo", afirmou o governador.


Bolsonaro viajou a São Francisco do Sul na segunda-feira para passar o Réveillon com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e a filha mais nova, Laura.


Desde que chegou ao local, Bolsonaro fez seguidos passeios de jet ski, provocou aglomerações na praia, visitou uma pizzaria e um parque temático e disse não ter nenhuma intenção de interromper a sua folga no litoral.

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