A CPI da Covid aprovou nesta quarta-feira (23) requerimento para convocar representantes de Facebook, Twitter e Google para explicar posts do presidente Jair Bolsonaro.
Os senadores querem entender por que o chefe do Executivo brasileiro ainda não foi banido dessas redes sociais ou teve conteúdo retirado do ar no caso de postagens que contrariam as medidas sanitárias de enfrentamento da pandemia.
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O requerimento de convocação foi apresentado na última sexta-feira (18), um dia após Bolsonaro questionar numa live em redes sociais medidas de combate à pandemia e insinuar que a contaminação em massa pelo coronavírus poderia ser "até mais eficaz" que a própria vacinação contra a Covid-19.
"Eu estou vacinado entre aspas. Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina, porque você pegou vírus para valer. Quem pegou o vírus está imunizado, não se discute", afirmou Bolsonaro em live, em declaração que contraria a ciência.
O autor do requerimento, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou querer explicações, argumentando que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump "foi banido por muito menos", disse o senador, que é vice-presidente da CPI.
Em janeiro de 2021, Trump foi banido do Twitter e suspenso por tempo indeterminado do Facebook e do YouTube por conclamar apoiadores a irem ao Capitólio, sede do Congresso americano, questionar o resultado das eleições presidenciais de 2020.
Com o objetivo de evitar sanções e manter a influência de Bolsonaro e aliados nas redes sociais, o governo federal prepara um decreto para limitar a exclusão de conteúdos das redes e engessar decisões de empresas como YouTube, Twitter, Facebook e Instagram.
O texto impede que as companhias retirem informações do ar somente por julgarem que as próprias políticas foram violadas pelos usuários.
Publicações de Bolsonaro e de seus apoiadores foram excluídas das redes sociais durante a pandemia por desinformar sobre a doença.
Em abril de 2021, o Twitter colocou um aviso de publicação enganosa em crítica do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, ao lockdown.
Pela proposta em análise no governo, a exclusão de contas das redes sociais também dependeria de decisão judicial. Neste caso, há brechas, por exemplo, para apagar perfis falsos ou inadimplentes.