Economia

Concentração no varejo aumentou preços

21 mar 2001 às 12:17

Em Curitiba, a concentração de empresas no ramo supermercadista tem contribuído para a elevação no preço dos produtos. Foi isso que apontou a pesquisa feita pelo Procon junto ao consumidor, quando 90% dos entrevistados acharam que os preços ficaram mais altos depois que os supermercados foram vendidos para as grandes redes nacionais e internacionais.

Enquanto os consumidores estão se queixando de um lado, conforme revela a pesquisa, os fornecedores também se queixam da dificuldade de repassar a alta nos custos. "Nos últimos 24 meses, com raríssimas exceções, os fornecedores do Paraná não conseguiram repassar um tostão de aumento de custo", disse o presidente da Associação dos Fornecedores de Supermercados do Paraná (Assosuper), Celso Gusso. "A indústria não tem participação nenhuma nessa alta que o consumidor está reclamando", acrescentou.


A insatisfação do consumidor curitibano já havia chegado na Assembléia Legislativa, no ano passado, por meio da CPI dos Supermercados. De acordo com o relator Ademar Traiano, os supermercados vêm sendo os grandes beneficiados da onda de concentração do setor. A CPI teve depoimentos de fornecedores de hortifrutigranjeiros que vendem abaixo do custo, enquanto o consumidor está pagando mais pelos produtos. "Quem está ficando com esse ganho?", pegunta o deputado.


Traiano promete para essa segunda-feira a leitura do relatório da CPI, onde deverá sugerir medidas que induzem ao controle sobre os supermercados. Já o presidente da CPI, Geraldo Cartário, é mais cético. Para ele, o trabalho falhou à medida que os deputados não conseguiram ouvir os diretores da rede Sonae e Carrefour.


Naim Akel Filho, coordenador do Procon, atribui parte da culpa ao consumidor pela alta nos preços. Segundo ele, o consumidor tem revelado um comportamento comodista, quando escolhe o supermercado para fazer suas compras em função da proximidade com a sua casa. E não em função do preço ou qualidade dos produtos e do atendimento. Para Akel, se o consumidor mudasse seu comportamento certamente exerceria pressão sobre as grandes redes supermercadistas.

O presidente da Associação dos Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta, não foi encontrado para comentar a pesquisa do Procon.


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