Economia

Dólar opera sob tensão devido à crise política

28 jul 2005 às 11:40
...O mercado financeiro demonstrou nos últimos três dias um nervosismo que há muito não se observava, reflexo da conjunção de fatores deflagrados a partir do dia 21 de julho. Como mencionado em nosso relatório "Visão Cambial" (22/Jul), a usual tensão dos mercados nas sextas-feiras devido à crise política, aliada aos relatórios desfavoráveis ao Brasil por parte de bancos americanos puxou a alta do dólar, fechando a R$ 2,398/US$, alta de 1,73%. Na segunda-feira (25/Jul) a tensão ainda persistia e os sinais do mercado continuavam conturbados, aumentando a pressão de compra e levando o dólar a R$ 2,462/US$, alta de 2,66% no fechamento. Neste dia, a desculpa para a forte alta era o aumento da tensão com a persistência de informações negativas no front político e a ausência de boas notícias que pudessem reverter o cenário. A abertura do câmbio hoje (26/Jul) ainda foi contaminada pela crise, com o dólar ultrapassando a barreira dos R$ 2,50/US$ na entrada. Entretanto, os investidores já se punham mais atentos ao depoimento na CPMI de Renilda de Souza, esposa de Marcos Valério e aguardavam alguma novidade contundente que pudesse manter a trajetória da divisa. Durante o dia o mercado foi acalmando e ajustando as posições, ao observar que o depoimento não se mostrava tão revelador e eximindo a figura do presidente Lula, colocando novamente as usuais peças chaves do escândalo em voga, como José Dirceu e Delúbio Soares. O Dólar fechou com queda de 0,52% a R$ 2,4490, a Bovespa recuperou parte das perdas dos últimos dias fechando a 24868 pontos, com alta de 1,38% e o risco-país caiu 0,71%, para 419 pontos. O câmbio aponta para uma tendência de queda amanhã, porém o cenário ainda se mostra indefinido. Recomendamos cautela e observação, pois a alta do dólar teve um forte embasamento político e especulativo, fugindo dos fundamentos da economia que continuam apontando para uma tendência de queda do dólar no curto-prazo.

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