Economia

Índice de inflação nem sempre reflete custo de vida

03 mar 2001 às 15:19

É muito comum no dia-a-dia presenciar a cena de uma dona-de-casa num supermercado reclamando do encarecimento de determinados produtos. Também é muito frequente acompanhar a divulgação dos institutos de pesquisa que dizem que a inflação esteve próxima de zero ou muito baixa no mesmo período. A diferença entre essas duas realidades está na composição dos itens que formam um índice de inflação. A análise sempre é feita com base numa média de serviços utilizados e produtos consumidos pela população.

A coordenadora do Projeto Índice de Preços ao Consumidor, elaborado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Maria Luiza Veloso, ressalta que a inflação será mais sentida pelos grupos que consumiram justamente os produtos que encareceram. "Se num determinado mês subisse apenas o preço do transporte público, as famílias com maior poder aquisitivo não sentiriam a inflação, pois não usam o serviço. O contrário orreria com as famílias de baixa renda", exemplifica Maria Luiza.


O IPC, calculado todos os meses pelo Ipardes, toma como base as famílias curitibanas que têm rendimento que varia de um a 40 salários mínimos. Elas representam 92% da população. O hábito de consumo foi identificado com base numa pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre setembro de 1995 e setembro de 96. Esse perfil só será reavaliado em 2005.


Para obter o índice de inflação, os pesquisadores do Ipardes colhem os dados de 340 produtos e serviços em 1,7 mil estabelecimentos comerciais de Curitiba. São verificados os preços de itens como vestuário, transporte, comunicação, alimentação, saúde, cuidados pessoais, artigos de residência, educação e habitação.


De janeiro a dezembro do ano passado, a inflação acumulada foi de 6,23%. Em janeiro deste ano o custo de vida ficou em 0,89%. O índice de fevereiro será divulgado na próxima semana, pois houve atraso na pesquisa durante o mês.

Leia a entrevista realizada com a coordenadora do Projeto Índice de Preços ao Consumidor, Maria Luíza Veloso, em reportagem de Carmem Murara, na Folha do Paraná/ Folha de Londrina deste domingo


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