Os lojistas de Curitiba e região metropolitana deverão adotar uma ação coletiva que tem como objetivo a redução do prazo e as taxas cobradas pelas empresas administradoras de cartões de crédito. Em reunião, que será realizada na Associação Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba, mais de 20 entidades de classe deverão se pronunciar sobre a estratégia que deverão adotar em relação às empresas de cartões.
A movimentação dos lojistas do Paraná é uma reação contra as empresas de cartões de crédito que não deram nenhum tipo de resposta e nem se dignaram a manter um diálogo para esclarecer os questionamentos que o comércio tem a respeito dos cartões, diz o empresário Cesar Luiz Gonçalves, coordenador das câmaras setoriais da ACP.
O protesto dos lojistas está nas altas taxas cobradas, que variam entre 2,5% a 5% sobre o valor da transação e do período de 30 dias que as empresas demoram para ressarcir o comércio. Além disso, o aluguel das máquinas de cartões, que variam de R$ 40,00 a R$ 96,00 por mês, também é considerado alto para um segmento econômico que já trabalha com margem reduzida de custos, lembra Gonçalves.
De acordo com o presidente da ACP, Marcos Domakoski, a Confederação Nacional das Associações Comerciais, deverá encampar essa luta que está iniciando no Paraná para reverter as taxas cobradas pelas administradoras. Segundo ele, as outras associações comerciais também estão sentindo a falta de diálogo com as empresas.
Em comparação com os procedimentos adotados nos Estados Unidos, países da Europa e até mesmo do Mercosul, "estamos pagando as taxas mais altas do mundo", diz Domakoski. "Nesses países a taxa cobrada dos lojistas não passa de 1% e o repasse do dinheiro ocorre em três a quatro dias."
De acordo com o presidente da ACP, o cartão de crédito é um meio moderno e eficiente para as transações comerciais e, por isso, o número de usuários tem crescido muito. Fala-se em 33 milhões de usuários no País. Ocorre que as empresas se acostumaram com as altas taxas cobradas durante o período inflacionário e não reduziram depois que a economia se estabilizou. Além disso, os usuários que não pagam na data de vencimento são penalizados com os maiores juros de mercado que chegam até 12% ao mês.
Gonçalves, que tem uma loja de material de construção, no bairro do Guabirotuba, em Curitiba, não aceita mais cartão de crédito em sua loja. Argumenta que não dá para compatibilizar as margens de lucro apertadas com que trabalha e as altas taxas e o prazo alongado adotado pelas empresas de cartão.