Economia

Mercado está certo que a Copel será dividida

08 nov 2001 às 20:06

O mercado já trabalha com a possibilidade de o governo do Paraná dividir a Companhia Paranaense de Energia (Copel) em três empresas, uma de geração, transmissão e distribuição, para viabilizar tecnicamente a realização de um terceiro leilão. Conforme o governo já havia antecipado, estuda-se a abertura de novo prazo para a pré-qualificação das empresas interessadas.

Na avaliação de analistas, o governo está correndo contra o tempo para divulgar novo edital de venda, com novos cronogramas no prazo de 15 dias. O fato é que a Copel já foi estruturada em cinco empresas para atender legislação do setor elétrico, desde julho deste ano. O processo de estruturação da estatal iniciou em 1999.


A Copel foi subdividida em cinco subsidiárias chamadas de unidades de negócios que estão atuando nas áreas de transmissão, geração, ditribuição, telecomunicações e participações. Cada uma delas constitui uma Sociedade Anônima, com Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) próprio, sendo que todas elas pertencem a um único controlador - Copel.


O que precisa ser apresentado agora é a modelagem de venda de cada uma das empresas que o governo pretende leiloar. Analistas de mercado acreditam que essa modelagem, onde deve está formulado o cálculo de quanto cada empresa vale, já está pronta e que já foi oferecida como alternativa de venda ao governo do estado. A opção do governo foi vender a Copel em um bloco porque seus representantes acharam que era mais fácil. Mas ocorreu o contrário e agora o governo deve optar por vender em bloco, disse um analista. Se o leilão ocorrer como o mercado está prevenddo, ainda deve permanecer nas mãos do Estado, as empresas de serviços e tecnologia.


Com a expectativa de novo leilão, as ações da Copel estão reagindo bem no mercado. A ação Copel On fechou esta quinta-feira cotada em 16,10, uma alta de 4,60% em relação a quarta-feira. A tendência da ação é recuperar o preço normal, avaliou Mohamed Talah Junior, da Century Gestão de Recursos.


Para o ex-presidente da Copel João Carlos Cascaes, mesmo fracionando a estatal, o governo terá que reduzir o preço para torná-la atrativa para um terceira tentativa de venda. Ele destaca que os fundos de investimentos são bastante disciplinados e analisam com profundidade todas as variáveis do mercado, "portanto não vão se arriscar diante de uma conjuntura econômica adversa", reforçou.

Cascaes acredita que muitas informações que constavam do data-room assustou os investidores. Entre elas, as ações que correm na Justiça sobre parcerias e contratos com outras empresas que deixam a Copel de mãos atadas. Segundo Cascaes, há uma série de contratos com empresas subsidiárias prevendo multas enormes se forem desfeitos.


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