Economia

Páscoa abre vagas no comércio

18 mar 2001 às 17:10

Faltando menos de um mês para a Páscoa, grande parte dos supermercados, lojas de departamentos e segmentos comerciais de gêneros alimentícios já montaram seus varais de exposição de produtos temáticos com ovos e bombons de chocolate. É nesse período que a indústria do setor contrata o maior número de trabalhadores temporários no ano. São distribuidores, motoristas, promotores de venda e estoquistas para a venda de milhares de toneladas de chocolate nas próximas quatro semanas. A expectativa é que na região de Curitiba pelo menos 3 mil pessoas devem conseguir trabalho temporário até a Páscoa, segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Curitiba e Região Metropolitana.

A maior fabricante de chocolates nacional, Garoto, já contratou 1,1 mil pessoas para trabalho temporário no Sul do País. Desse total, cerca de 40% estão no Paraná. Toda a produção da Garoto é concentrada em Vitória, capital do Espírito Santo, mas a empresa possui uma gerência regional para o Sul do País em Curitiba, onde funciona um centro de distribuição.


A Kraft Brasil, detentora da marca Lacta, é uma das principais multinacionais fabricantes de chocolate para a Páscoa no Brasil. A assessoria de imprensa da empresa informou que foram contratados 2,7 mil trabalhadores temporários para o período que antecede a Páscoa em todo o País. Por questões estratégicas, a empresa não divulga o número de contratados por região.


De acordo com o assessor da presidência do Sindicato dos Empregados do Comércio de Curitiba e Região Metropolitana, Iran Dias, a Páscoa gera cerca de 3 mil postos de trabalho no comércio regional. Isso representa cerca de 10% a mais do quadro efetivo de funcionários do setor. "Se comparado com o Natal, esse índice é baixo, mas temos que considerar que apenas alguns segmentos são beneficiados pela Páscoa e não todo o comércio, como acontece em dezembro", diz. No Natal, as vagas temporárias representam 40% a mais do quadro efetivo de funcionários, passando dos 10 mil novos postos de trabalho.


Outra particularidade é que a indústria é o maior contratante de trabalhadores temporários e não o comércio. Os fabricantes e distribuidores de ovos de Páscoa fornecem estrutura para apresentação e reposição de seus produtos para os revendedores de porte médio e grande. "No caso da Páscoa, é a indústria que faz tudo", explica o vice-presidente para assuntos corporativos da Associação Comercial do Paraná (ACP), Elcio Ribeiro.


O setor de supermercados é que o mais lucra com a Páscoa. Só nas 37 lojas do grupo Sonae no Paraná, cerca de 400 pessoas vão trabalhar para os fabricantes de chocolate como repositores, promotores de vendas e estoquistas. Esse reforço é oferecido pelos fornecedores que precisam atender a crescente demanda do período. Nas lojas Mercadorama há 4,5 mil metros quadrados de área de exposição de chocolate. A empresa pretende vender 200 toneladas de ovos e bombons de chocolate nos próximos 30 dias.

Mas a Páscoa não gera emprego temporário apenas nos fabricantes e distribuidores de chocolate. O trabalho informal com a produção artesanal de ovos de Páscoa é outro filão desse período. Esse tipo de atividade cresce todo ano. Tanto que em 2001 alguns fabricantes estão vendendo embalagens plásticas para chocolate artesanal. Fabricantes de chocolate aumentam a produção de barras do produto. É a partir das barras simples que os artesãos moldam os ovos e bombons. A diferença em relação aos ovos industrializados está no preço. Os artesanais normalmente são mais caros que os produzidos em série.


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