A privatização da Copel é apontada pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Pinguelli Rosa como coisa de maluco. Para ele, não há condições de desestatizar a companhia de energia elétrica porque o processo de privatização nesse setor não foi bem sucedido e precisa ser interrompido.
Pinguelli defendeu esta posição no primeiro dia do seminário "Energia Elétrica: privatização, regulação econômica e seus impactos para os consumidores", que teve início hoje. O professor afirma que o prosseguimento do processo de privatização tem bases egoístas. O motivos, segundo ele, são as comissões pagas aos consultores que emitem pareceres favoráveis às vendas e as ofertas de emprego na iniciativa privada.
O Estado alega que a privatização da Copel é uma questão de sobrevivência da empresa no mercado, pois a concorrência com outros grupos, que podem se beneficiar de empréstimos do BNDES e da pouca burocracia.
A justificativa do Estado é contestada por Pinguelli. Ele diz que as estatais conseguem produzir energia mais barata que as termelétricas ou hidrelétricas que vierem a ser contruídas pela iniciativa privada. Ele se baseia em números: usinas estatais como a da Copel têm um custo de produção que varia entre R$ 4 megawatt/hora e R$ 10 megawatt/hora. Já as termelétricas brasileiras poderão ter um custo de até R$ 70 megawatt/hora, segundo o professor.
O encontro prossegue até amanhã e é organizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em Curitiba.
Leia mais em reportagem de Emerson Cervi, na Folha do Paraná/ Folha de Londrina desta sexta-feira