Produtores e cooperativas do Paraná estão animadas com a possibilidade de o Brasil assinar um acordo de equivalência sanitária com a China. Essa iniciativa foi ensaiada várias vezes e agora com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), a possibilidade pode ser concretizada, acredita Carlos Augusto Albuquerque, assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
A expectativa do setor produtivo é com a ampliação das exportações de alimentos brasileiros para abastecer o mercado chinês, que soma mais de um bilhão de consumidores. A verdade é que vários países estão de olho nesse mercado que está ficando muito atraente, com o crescimento anual da renda dos chineses, disse Albuquerque. Por isso, o Brasil não deve descuidar da competitividade para poder conquistar definitivamente o mercado asiático.
Atualmente o Paraná exporta o equivalente a 2,5% de suas vendas externas diretamente para a China, principalmente carnes de suíno e frango e o complexo soja (grãos, farelo e óleo). Essa participação ainda é muito pequena, considerando que o estado exporta 17,4% do valor de suas exportações, que somam US$ 4 bilhões por ano, para os Estados Unidos, comparou Flávio Turra, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Para Turra, além das exportações diretas, o Brasil ainda utiliza muito da intermediação de países asiáticos como Singapura, Tailândia e Hong-Kong, para atingir a China. Segundo ele, o Brasil e o Paraná não têm negociadores que conheçam a estrutura do mercado chinês para saber exatamente o que eles querem e de que forma querem consumir os ‘nossos produtos’, daí a necessidade de recorrer à intermediação, explicou. O consumo chinês é diferente dos hábitos ocidentais, lembra.
O sistema político vigente no país também conta muito, disse Turra. Segundo ele, o país está numa fase de transição entre um regime fechado para um regime mais aberto, que favorece as negociações empresariais. Daí a importância de o Brasil "colocar um pé lá dentro, antes que os demais países tomem conta por completo", lembrou.
Albuquerque também é defensor da necessidade do Brasil em aperfeiçoar sua forma de vender os produtos no exterior. Na conquista do mercado chinês, ele adverte que o empresário precisa perder a timidez e ir até à China para conhecer como funciona o mercado e o que ele quer consumir.
O próximo passo, segundo Albuquerque, é adequar as regras sanitárias para atender as exigências do mercado chinês. Sobre isso, o representante da Faep não vê nenhum empecilho porque os produtores paranaenses já estão conscientizados que sanidade hoje é exigência para atingir qualquer mercado.
Albuquerque disse que a Faep está otimista porque é inevitável que a China vai importar alimentos. Segundo ele, o nível de renda do chinês está crescendo ano a ano e o país precisa de produtos para abastecer esse mercado. Apesar de ser grande produtor, Albuquerque disse que a China tem área agricultável inferior à brasileira.
Perspectivas O lançamento da nova rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) (leia mais na página 3) animou especialistas brasileiros em comércio exterior, que acreditam nas possibilidades de crescimento da atuação do Brasil no âmbito internacional, em especial em decorrência da redução de barreiras que poderá ocorrer a partir dessa decisão.
"Os países desenvolvidos aceitaram negociar assuntos sobre os quais não queriam nem conversar há pouco tempo", avalia o diretor-executivo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Mario Marconini. Nesse aspecto, ele destaca, principalmente, a posição americana em relação à questão do dumping, o que poderá, inclusive, beneficiar negociações regionais como a da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).