Preocupados em não repetir em 2002 o mesmo cenário de filas intermináveis de caminhões à espera para descarregar seus produtos no Porto de Paranaguá, produtores e técnicos da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) reuniram-se com representantes da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Além de reivindicar obras para agilizar a recepção e armazenagem dos produtos, os agricultores reclamaram a necessidade de buscar alternativas para reduzir os custos nas tarifas de transporte.
Estudos da Faep mostram que o valor dos produtos agrícolas aumenta até 15% em função dos custos com transporte terrestre e marítimo. "O produtor paga caro pelo frete do caminhão, pelo trem, pedágio das estradas. Daí chega no porto ainda tem dificuldade para agilizar a exportação, o que significa mais custos", diz o engenheiro agrônomo Nilson Hanke Camargo, técnico da Faep responsável pela pesquisa da entidade.
Para melhorar esta situação, ele aponta a necessidade do porto investir em equipamentos de recepção (moegas), mais armazéns e estrutura para agilizar a condução da mercadoria até os navios. Para os agricultores, se não houver redução nos custos, muitos podem optar pelo Porto de São Francisco (SC), que é mais longe, mas não tem o ônus de pedágio em estradas, além de ter tarifas da ferrovia e porto mais baixas.
Segundo o diretor de Desenvolvimento Empresarial da APPA, Lourenço Fregonese, nos últimos dez anos o porto não recebeu nenhum recurso financeiro do governo federal. Todas as melhorias foram feitas com recursos da iniciativa privada, do próprio porto e governo estadual. Para 2002, a administração portuária já encaminhou, através da bancada paranaense no Congresso Nacional, emendas no orçamento da União solicitando R$ 96,5 milhões para obras de melhorias.
Fregonese reconhece que "há um descompasso entre o recebimento de cargas e o embarque". O porto vem operando no limite. Atualmente, tem capacidade para receber 80 mil toneladas por dia, com a descarga de 1,5 mil a 2 mil caminhões e 600 a 700 vagões que chegam pela linha férrea. Estudos da APPA mostram que há necessidade de construção de mais um terminal graneleiro com capacidade de mais 80 mil toneladas, com moegas de recepção para 1 mil t/hora, agregando um conjunto que permitiria a movimentação anual de mais 1,36 milhão de toneladas.
Apesar das deficiências, Fregonese não acredita quem, no próximo ano, o embarque da safra venha ocasionar filas de caminhões. "Em 2000 nós saímos de uma situação em que os caminhões ficavam até 19 dias em fila de espera e não tivemos nem um dia de fila. Só que em 2001, ninguém imaginava que o milho ia explodir." No ano passado, o Paraná teve uma supersafra de milho. Foram exportadas 4 mil toneladas do produto. Com isso, o porto não conseguiu atender a demanda, obrigando os caminhões a permanecerem em filas de espera por três a quatro dias.
Para 2002, segundo Fregonese, a recepção dos produtos deve se diluir ao longo do ano, sem provocar filas. Só de produtos graneleiros, devem ser exportadas 3 mil toneladas de milho, 5 mil toneladas de soja e 4 mil toneladas de farelo. Segundo porto do Brasil, Paranaguá é hoje o maior exportador de soja, algodão, farelo e madeira do País, e maior importador de fertilizantes.