Rural

Governo procura feijão para compor cesta básica

01 ago 2001 às 10:37

A Companhia Nacional de Abastecimento vai realizar dois leilões de compra de feijão para as cestas básicas que estão sendo encaminhadas para os flagelados da seca no Nordeste. O primeiro leilão vai ocorrer amanhã e o segundo no dia 9 de agosto. Serão comprados 230 toneladas; o produto vai compor a formação de 115 mil cestas básicas. Serão colocados pacotes de 2 kg em cada cesta. Os leilões serão realizados através da Bolsa de Mercadorias, com entregas no Espírito Santo e em Brasília.

O mercado não vê muita chance de o governo ser bem sucedido nessas compras porque não há mais feijão comercial disponível. De acordo com o corretor Cicero Maluceli, desde abril sumiu o feijão de classificação 6 e 7, da safra do ano passado. ‘O governo procura o feijão mais velho, porque é mais barato’, explica.


Sem oferta, até o feijão velho subiu de preço, acompanhando a escalada no preço do feijão novo, disse o corretor. O feijão de classificação 6, semi-novo está cotado entre R$ 62 a R$ 63 a saca. O interessante é que esse tipo de feijão já fez parte dos estoques reguladores do próprio governo no ano passado.


Ou seja, no ano passado quando havia uma superprodução de feijão, a Conab comprou quase 1 milhão de sacas no mercado para sustentar o preço mínimo ao produtor. Pagou em torno de R$ 26 a R$ 28 a saca que corresponde ao valor do preço mínimo. No final do ano passado, entre os meses de setembro e outubro, em função do estoque elevado, a Conab vendeu esse feijão no mercado pelo mesmo preço que comprou, em torno de R$ 28 a saca.


Segundo o corretor Maluceli, quando chegou em janeiro deste ano, com o acúmulo da safra nova, o governo vendeu o feijão até por R$ 16 a saca, com prejuízo. ‘Quem comprou esse feijão e guardou, agora está vendendo para o próprio governo novamente por R$ 63 a saca’, disse. Ou seja, o comprador embolsou um lucro de 300%’, calculou.


De acordo com o corretor, mesmo com mercado em alta o governo está procurando o feijão, que é um ingrediente fundamental na cesta básica. ‘Agora como o Lula está na frente das pesquisas, o governo vai se empenhar ainda mais em comprar o feijão’, acredita.

O preço do feijão está em alta por causa da redução da oferta do produto em todo o País, disse o corretor Marcelo Luders, da Correpar. Segundo ele, só na última semana, o feijão carioca de qualidade extra subiu 9%. Passou de R$ 67 a saca para R$ 73,00, conforme cotação da Bolsinha de Cereais ontem em São Paulo. Em um mês o feijão carioca teve uma alta de 20%, passando de R$ 61,00 para R$ 73,00.


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