Rural

Investidores da Boi Gordo criam associação de defesa

14 nov 2001 às 10:03

Investidores de Maringá decidiram formar uma associação para defesa judicial coletiva contra o Grupo Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A. São 62 pessoas que correm o risco de perder cerca de R$ 2 milhões em investimentos na compra de títulos da Boi Gordo. No mês passado, a empresa pediu concordata alegando dívidas que ultrapassam R$ 799 milhões. O processo está suspenso por liminar concedida a vítimas do grupo em São Paulo.

Segundo Shiguemassa Yamasaki, investidor de Maringá e um dos membros da nova associação, as irregularidades da empresa são gritantes. Ele lembra que o processo de concordata está na comarca de Comodoro (MT), quando deveria estar em São Paulo. "Isso dificulta o acesso dos credores que correm o risco de perder prazos, além do aumento de custos", diz Yamasaki.


No processo de concordata, a empresa apresenta um débito de mais de R$ 799 milhões e um ativo de R$ 530 milhões. Os investidores afirmam que o valor do débito não é original porque deveria contemplar 10% de taxa de administração agropastoril, somando cerca de R$ 880 milhões. "A empresa, no entanto, apresentou os R$ 799 milhões e tirou para ela os 10%", reforça Yamasaki.


O investidor conta ainda que os valores do ativo também apresentam irregularidades. Dos R$ 530 milhões, R$ 380 milhões são de imóveis rurais; outros R$ 70 milhões de 100 mil cabeças de gado e o restante, R$ 80 milhões, de créditos de terceiros a receber.


Yamasaki explica que dos R$ 80 milhões, R$ 76,8 milhões são de créditos que a Boi Gordo S/A tem para receber da Boi Gordo Ltda. "Esse vai e vém de dinheiro entre empresas do grupo sofre restrições por lei", lembra o investidor.


Conforme Yamasaki, outra irregularidade gritante se refere ao fato de que a empresa apresentou na relação de bens somente 100 mil cabeças de gado, quando na autorização junto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a captação de recursos foi estipulada em 2,5 milhões de cabeças de gado. "Vamos tentar também responsabilizar a CVM".


Proposta absurda Para o investidor, só a união em forma de associação pode facilitar o trâmite judicial e reduzir custos. Yamasaki disse que na semana passada um representante da Boi Gordo procurou os investidores de Maringá para uma proposta, mas as condições foram consideradas "absurdas" pelo grupo. "Ele quis que nós assinássemos um documento quitando o crédito em troca de ações da Boi Gordo, nos transformando assim em sócios devedores", destaca o investidor.


Yamasaki informa que na próxima segunda-feira será realizada a assembléia geral para formalizar a associação. A idéia de união surgiu na semana passada, quando as vítimas realizaram a primeira reunião. "Os investidores precisam se unir porque a empresa demonstra em várias atitudes tentativas de inviabilizar a presença dos credores neste processo de concordata", diz.

Serviço : Informações sobre a associação de vítimas da Boi Gordo pelo fone (44) 223-4868 ou (44) 3026-3290, com Yamasaki ou Ivanildo.


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