Os produtores paranaenses de carne bovina reagiram com desdém à notícia de que a Grã-Bretanha tem intenções em barrar o produto brasileiro alegando que o rebanho pode estar contaminado com febre aftosa. "Eles têm é que embargar a deles, pois eles é que têm aftosa, e não nós", disse o assessor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Cavalcanti.
Na quarta-feira foi divulgado que os produtores da Grã-Bretanha estão pressionando o governo para barrar a entrada de carnes de fora da União Européia (UE). Eles acham que o rebanho local pode ter sido contaminado pela carne importada. Mas Cavalcanti lembrou que as regiões brasileiras que exportam carne, como a Centro-Sul, são reconhecidas pela Organização Internacional de Epizootias como área livre de aftosa.
Para o assessor econômico do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados (Sindicarnes), Gustavo Fanaya, a alegação dos britânicos é infundada. "Eles importam do Brasil apenas carne industrializada e carne congelada sem osso, e nessas condições o vírus não pode sobreviver", disse. O vírus da febre aftosa se desenvolve no osso bovino.
Fanaya explica que os produtores da Grã-Bretanha estão tomando essa atitude por temor de perder mercado futuramente. "Eles têm receio que quando o problema da vaca louca termine, já esteja consolidado o fluxo de carne daqui para lá e não haja espaço para eles", afirmou. Além disso, Fanaya lembra que os governos da UE já sinalizaram que pretendem diminuir e até cancelar os subsídios dados aos produtores, como proteção de mercado, porque isso estaria custando bastante e não estaria apresentando retorno.
Canadá
A iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) em mover uma ação na Justiça do Canadá contra o País repercutiu bem entre os produtores paranaenses. A Abiec quer abrir caminho a pedidos de indenização de empresas brasileiras e canadenses que se sentiram prejudicadas devido ao embargo imposto por autoridades canadenses ao produto brasileiro. O boicote durou 20 dias e terminou na semana passada.
Para Carlos Cavalcanti, da Faep, a medida é "ótima". "Eles levantaram uma falsa suspeita em vez de investigar primeiro, e isso é errado", disse. Mas ele acha muito difícil que os produtores consigam algum ressarcimento, porque as questões de comércio internacional são muito recentes e, por isso, difíceis de julgar. "Mas do ponto de vista moral, nossos produtores merecem um reconhecimento de que os canadenses jogaram sujo", considerou.
O assessor do Sindicarnes, Gustavo Fanaya, concorda com a opinião emitida pela Faep. "Todas as alternativas precisam ser buscadas, já que a decisão do Canadá foi injusta e puramente política", afirmou. Ele também acha muito difícil que o país seja condenado a pagar alguma indenização, já que o motivo alegado para o embargo foi a falta de envio de um questionário pelas autoridades brasileiras sobre a saúde do rebanho e o governo não tem provas de que tenha mandado.