Uma pesquisa realizada por professores das áreas de agronomia e química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) poderá facilitar o cultivo de alface hidropônica. O sistema automatizado controla a condutividade e pH, parâmetros físico-químicos imprescindíveis à hidroponia. Isto porque a planta só se desenvolve se forem garantidas algumas condições para que os nutrientes sejam absorvidos.
Além de facilitar o trabalho, o sistema automatizado permite que as correções sejam feitas com precisão, evitando que os nutrientes sejam colocados em excesso. Essa possibilidade é importante já que o nitrato - um dos componentes da solução nutriente - em excesso causa sérios prejuízos à saúde humana (ver matéria nesta página).
A existência de resíduos de produtos químicos nos alimentos e no meio ambiente desperta o interesse e preocupação de pesquisadores e dos consumidores, tendo em vista a evidência que as questões ambientais têm na atualidade. Segundo pesquisas, a alface hidropônica tem maiores índices de contaminação com produtos químicos quando comparada a outros tipos de cultivo.
Na hidroponia tradicional, o controle de condutividade e pH é feito por um funcionário, que coleta amostras da água e faz a análise de duas a três vezes por dia. O sistema desenvolvido pelos professores, permite ao mesmo tempo a realização das análises e as correções necessárias da solução de nutrientes.
No cultivo hidropônico, o consumo de nutrientes químicos altera o pH e a condutividade. ''A função do equipamento é reconstituir nutrientes, controlar o pH (entre 5,8 e 6,2, o nível adequado para o crescimento das folhas da alface)'', explica Hideaki Wilson Takahashi, do departamento de Agronomia e um dos participantes do projeto. Segundo ele, a elevação do pH induz à deficiência em ferro, e provoca amarelamento das folhas. A diminuição dele causa o desbalanceamento da solução nutriente, responsável pelo maior peso das folhas.
No sistema desenvolvido pela equipe da UEL, um computador faz o monitoramento por meio de sensores instalados nas canaletas onde a alface é cultivada. Após fazer a análise, o sistema aciona válvulas que vão colocar os nutrientes que estão em defasagem.
''O sistema automatizado também permite o controle de temperatura dentro da estufa'', explica Suzana Lucy Nixdorf, uma das coordenadoras do projeto. A professora diz que são muito comuns os casos em que há perda da produção por causa de problemas no controle das condições do cultivo. Participam do projeto os professores Carlos Alberto Paulinetti da Camara e João Carlos Alves, do departamento de Química.
O desafio de desenvolver o sistema automatizado esbarrou em problemas como a falta de investimentos, enfrentados com a dedicação e criatividade dos pesquisadores. ''Pegamos computadores e equipamentos que estavam sem uso no departamento de química. Compramos com dinheiro nosso válvulas de injeção de carro e circuitos eletrônicos de máquina de lavar roupa para instalar no sistema'', exemplifica Suzana.