Rural

Safra vai movimentar 9,5 milhões de toneladas

16 fev 2002 às 15:20

As cooperativas do Paraná começam a preparar a logística para o transporte da safra agrícola rumo ao Porto de Paranaguá. Este ano, a safra de soja promete ser maior do que o ano passado, devendo totalizar cerca de 9,5 milhões de toneladas, que corresponde a um acréscimo de um milhão de toneladas sobre a safra passada. As cooperativas querem evitar as intensas filas, que se formam ao longo da BR-277, que dá acesso ao porto, e exigem o pagamento de diárias, que muitas vezes oneram o orçamento previsto para o transporte.

Na Cooperativa Agropecuária Vale do Piqueri (Coopervale), o dia foi de reunião para organizar a logística necessária para o escoamento da produção. A maior preocupação é com a elevação no preço do frete no período de pico de safra, entre os meses de março e abril. Segundo o gerente comercial da cooperativa, Edio José Schreiner, a previsão é que o custo do transporte seja elevado em aproximadamente 40% a partir do início de março.


Conforme estratégia adotada pela Coopervale, a soja será enviada para o porto ainda em fevereiro, quando os preços do frete não devem reagir no mercado. O escoamento será suspenso nos meses de março e abril, quando deverá ser retomado em maio, disse Schreiner. Segundo ele, atualmente ainda é possível contratar frete rodoviário por R$ 38,50 a tonelada na região Oeste do Estado. Mas no período de pico da safra, o custo do frete deve se elevar para R$ 50,00 ou R$ 55,00 a tonelada, acredita.


Na região Norte do Paraná, a Transcocamar estima que o custo do frete pode ser elevado em até 60% este ano, repetindo os altos preços praticados na safra passada. Atualmente, o custo do transporte na região é de R$ 29,50 a tonelada. O responsável pelo serviço de transporte, Antonio Roberto Ramos, está preocupado quando acumular o escoamento da safra do Paraná, com a produção oriunda da região Central do País e do Paraguaí. ''Quando isso acontecer, será inevitável pagar diárias para os motoristas porque as filas vão acontecer'', afirma.


Ele não sabe dizer quanto será o valor das diárias este ano, mas estima que poderá ser acrescido entre R$ 0,30 a R$, 0,35 por tonelada. Ramos ressalta que o pagamento de diárias não é interessante para ninguém, nem para quem encomenda o transporte, nem para o motorista ou transportadora que poderia estar carregando em outro lugar e não ficar parado na fila.

Para Schreiner, da Coopervale, as filas acontecem porque a safra agrícola do País aumenta a cada ano que passa e não há estrutura de armazenagem suficiente que dê suporte à diluição do embarque da produção ao longo do ano.


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