Rural

Superoferta de soja achata preços

16 nov 2001 às 12:01

O cenário de comercialização da próxima safra de soja foi o tema da palestra do analista de mercado França Júnior, que participou do programa técnico da 22ª Exposição Agropecuária e Industrial de Cascavel (Expovel), que termina domingo. O evento foi coordenado pela Associação dos Engenheiros Agrônomos e Núcleo Regional dos Médicos Veterinários.

Na avaliação de França, visto sob a ótica mundial, o mercado da leguminosa é preocupante. A próxima safra do planeta está calculada em 183 milhões de toneladas – 10 milhões de toneladas a mais que a anterior. O consumo mundial de soja e derivados vem crescendo na proporção média de 3,4% ao ano, mas não consegue absorver tanta produção. O resultado é que os estoques mundiais, normalmente na casa dos 20 milhões de toneladas, estão projetados para 30 milhões de toneladas na próxima safra.


Segundo ele, o excesso de oferta, causado pela produção crescente do Brasil, Argentina e Estados Unidos (os três maiores produtores), contribui para achatar as cotações internacionais. ‘Na última semana, o preço do produto em Chicago esteve cotado na faixa de US$ 4,40 por bushel, contra a média histórica de US$ 6’, explica.


Por conta do recorde mundial de produção e do crescimento linear do consumo, França Júnior não acredita em grandes oscilações na Bolsa de Chicago. Apenas uma quebra de safra poderia alterar esse cenário e, caso isso venha a acontecer, o prejudicado seria o Brasil, que é a ‘bola da vez’, já que está iniciando o plantio, enquanto os norte-americanos acabam de fazer sua colheita. Em sua visão, Chicago pode, na melhor das hipóteses, trabalhar na faixa dos US$ 5 a tonelada.

Apesar do mercado internacional da soja atravessar um período de crise, França Júnior acredita que a próxima safra ainda será compensadora para o produtor brasileiro. Ele acredita que o sojicultor brasileiro já consegue se igualar ao norte-americano em se falando de lucros. ‘A valorização do real em relação ao dólar e os altos índices de produtividade das lavouras brasileiras vêm contribuindo para a formação de um quadro positivo’, conclui.


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