Parte do Lago Igapó 2, na zona sul de Londrina, voltou a ser coberta por macrófitas aquáticas nas últimas semanas, em ruas que ficam entre as avenidas Maringá e Ayrton Senna da Silva, na Gleba Palhano. A quantidade das chamadas alfaces d’água vem aumentando, o que pode estar associado ao lançamento de esgotos clandestinos a partir das galerias pluviais que desaguam no lago. No ano passado, o aparecimento das ervas flutuantes levou à semanas de intervenção por parte da Prefeitura, visto que elas são consideradas plantas daninhas quando colonizam rapidamente o corpo hídrico em que se encontram, com crescimento desordenado e prejuízos ao equilíbrio do meio ambiente.
A princípio, o aparecimento neste mês se deu abaixo da ponte dos guarda-chuvas, na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto. A FOLHA esteve no local nesta terça-feira (24) e atestou a chegada das macrófitas no ponto contrário do corpo d’água, abaixo da ponte da Rua Professor Joaquim de Matos Barreto, com garrafas plásticas e pedaços de isopor completando o cenário.
Aliadas aos peixes, até o momento
Segundo Orlando Carvalho, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) Campus Londrina, as alfaces d’água surgem naturalmente no ambiente, sendo que só apresentarão malefícios aos peixes se crescerem e se reproduzirem desenfreadamente. “Elas não oferecem toxicidade com potencial risco à saúde das comunidades aquáticas ou à população. No atual cenário, onde elas ocupam uma superfície pequena do lago, elas oferecem abrigo a filhotes de peixes, por exemplo, que se escondem em suas raízes para se alimentarem de insetos aquáticos e escaparem de predadores”.
Caso a quantidade de macrófitas passe a ocupar 40% da superfície do lago, sua ciclagem - morte natural -, pode acarretar em aumento da matéria orgânica e impacto nas concentrações de OD (oxigênio dissolvido), podendo afetar a vida aquática. “Acho difícil chegar nesse ponto. Agora, se elas chegassem a cobrir todo o lago, essa questão de matéria orgânica e OD poderia ser agravada, mas isso em cenário de muito calor e estiagem”, relatou o professor.
Alerta para a causa da proliferação
A reportagem questionou a Sema (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) se estão mantidas as vistorias às margens dos lagos da zona sul para conferir as galerias pluviais, mas não obteve retorno até a publicação do material.
Quanto ao manuseio das macrófitas para a retirada por parte de servidores do órgão, “deve ser feito com a devida proteção, pois não há segurança quanto ao que pode estar aderido em suas raízes e folhas, considerando um possível aporte de algum poluente”, alertou Carvalho. O ideal é que os trabalhadores façam uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), incluindo luvas longas, botas impermeáveis, macacão, óculos e máscara facial.
Remoção
Em nota, a Sema informou que vem acompanhando a situação desde o início da semana passada, pontuando que uma equipe iniciou o processo de remoção, que será retomado nesta quarta (25) pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Na última semana, o trabalho foi feito no Córrego Ribeirão Cambezinho, que margeia o Aterro do Igapó.
Completou dizendo que as possíveis causas do aumento na quantidade das plantas na superfície do lago são avaliadas. “Entre as possibilidades, a presença maior de nutrientes na água, resultado da pouca chuva registrada nos últimos dias na região”, supôs.
Já Orlando Carvalho afirmou que Londrina não enfrenta um período de estiagem como o observado durante a eutrofização de setembro do ano passado, quando a água do Lago Igapó 2 ficou verde - por conta de cianobactérias tóxicas - e as alfaces d’água apareceram. “Logo, acredito que a falta de chuva, neste momento, não seja a causa do florescimento delas”, explicou.