Alunos dos cursos de aviação de Londrina vão ficar cinco dias sem poder voar. Uma feira comercial marcada para este final de semana no aeroporto de Maringá vai restringir as atividades de instrução no Aeroporto José Richa e no Aeroporto 14 Bis entre a madrugada de quinta-feira (28) e o início da próxima terça-feira (2).
A determinação partiu do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). A medida atinge três escolas de aviação de Londrina: Aeroclube, AMP e Volare. Os interessados tomaram conhecimento no início da semana por meio de um Notam, aviso que contém informação relativa ao estabelecimento, condição ou modificação de quaisquer instalações, serviços, procedimentos ou perigos aeronáuticos, cujo pronto conhecimento seja indispensável ao pessoal ligado à operações de voo.
"Fomos pegos de surpresa dois dias antes do início do evento", aponta Jonas Liasch, professor e vice-presidente do Aeroclube de Londrina. "Ficar cinco dias sem voar vai nos trazer um prejuízo irrecuperável. Os pilotos de instrução recebem por voo. Quem vai pagar por isso?", questiona o professor.
Jonas explica que Londrina e Maringá fazem parte da mesma Terminal Aérea que limita o tráfego em sete aeronaves por vez. Assim, o movimento no aeroporto de Maringá vai interferir nas atividades agendadas em Londrina.
"É uma decisão tomada de última hora que privilegia o evento comercial e não prejudica as companhias aéreas. Sobra então para as escolas de aviação. Não tivemos tempo hábil para fazer um planejamento. É o tipo de interferência que precisa ser definida com no mínimo seis meses de antecedência", argumenta o vice-presidente do Aeroclube.
Representantes das três escolas de aviação de Londrina se reuniram na terça-feira (26) com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária. A Infraero também recebeu a notícia com surpresa. Ficou acordado que apenas alunos no estágio chamado de toque e arremetida poderão voar no período de restrição.
"Temos apenas quatro alunos nessa fase do curso, a grande maioria que cumpre os outros estágios estão impedidos de ter instrução. São alunos que estavam com horário marcado e muitos deles são de cidades de fora. Tivemos que cancelar tudo", destaca Jonas Liasch.
As escolas estudam a possibilidade de entrar com um pedido de liminar na Justiça para liberar as instruções.