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Roque Neto (PTB): "Não dá para fazer 100%, mas tenho a consciência tranquila de que dá para fazer muita coisa..." - Arquivo/Folha de Londrina
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Análise

Pe. Roque analisa 100 dias de administração interina

Fábio Cavazotti - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33
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Realização dos serviços essenciais de limpeza e conservação de áreas públicas. Contenção de gastos. Resgate da auto-estima do londrinense. Enfim, o ''feijão com arroz'' da administração pública. Foram estas as principais áreas abordadas pelo prefeito interino de Londrina, José Roque Neto (PTB), que completa hoje 100 dias na chefia do Executivo. Sua chegada ao poder, viabilizada pela inédita reviravolta jurídica das eleições municipais de Londrina, foi marcada pela ausência de projeto de transição e de planejamento administrativo.

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Desde o início, as preocupações foram manter o dia a dia da prefeitura e solucionar os impasses mais urgentes. Foram deixados de lado, em razão da escassez de tempo, quase todos os projetos de longo prazo. O resultado, após o final da gestão Nedson Micheleti (PT), cuja popularidade submergiu junto com a falta de um projeto de manutenção para a cidade, permitiu que em pouco mais de três meses, José Roque Neto passasse a gozar de uma súbita aprovação social.

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''Recebi a cidade suja, abandonada, com deficiências nos postos de saúde, nas escolas e faltando até material de limpeza. Como acredito que limpeza é primordial, atuei nessa questão da organização das coisas básicas. É o foco que identifiquei porque entendi o que é interinidade'', afirmou o prefeito à FOLHA. ''Acho que ninguém é perfeito e não dá para fazer 100%, mas tenho a consciência tranquila de que dá para fazer muita coisa quando a gente coloca a potencialidade a favor da cidade.''


No início da gestão, Roque Neto declarou que só partiria para planos maiores, ou contratos mais vultosos, se o impasse jurídico das eleições durasse mais de 90 dias. O terceiro turno, realizado em 29 de março, sacramentou o caráter provisório da atual administração.


Para o prefeito interino, o foco na manutenção da cidade se refletiu numa melhora da auto-estima do londrinense e na aprovação a seu governo. Ele citou as reuniões semanais de secretariado, logo às 07h00 das segundas-feiras, e as audiências públicas nos bairros, como outras medidas fundamentais para sua forma de governar. ''Vejo que deu certo porque mexemos com a auto-estima do cidadão. Quando assumimos, ele estava desanimado, abatido'', afirmou.

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Curiosamente, a maior polêmica envolvendo o prefeito interino veio antes da posse no Executivo - durante as eleições para a presidência da Câmara. De início, Roque Neto assinou um compromisso com a chapa que teria a vereadora Sandra Graça (PP) como presidente do Legislativo, e por consequência, como prefeita. No entanto, a entrada em cena das lideranças partidárias acabou levando o prefeito a retirar sua assinatura e encabeçar uma nova chapa. Na ocasião, ele explicou o recuo com a velha máxima de que ''a política é a arte do diálogo.''


Já na vigência de sua administração, Roque Neto enfrentou críticas quanto à nomeação excessiva de cargos comissionados - por volta de 160. Neste caso, ele invoca limitações políticas para impedir as contratações. ''Eu não fui eleito pelo povo para a prefeitura, mas pela coligação. Não posso controlar tudo'', alegou. Com a eleição de Barbosa Neto (PDT), no inédito ''terceiro turno'', e a possível antecipação da posse, resta menos de um mês para o fim da interinidade.


Disputas jurídicas


Outra característica marcante da gestão do prefeito interino foram os embates jurídicos. Logo no início do ano, ele tomou a decisão de vetar o aumento da tarifa do transporte coletivo, o que gerou uma demanda judicial que ainda se encontra em tramitação no Tribunal de Justiça (TJ). Outros grandes impasses correram por conta dos serviços terceirizados.


Em razão de atrasos no pagamento de salários que vinham desde agosto de 2008, a prefeitura rompeu em fevereiro deste ano o contrato de R$ 7,5 milhões por ano com a Tolimp, empresa que realizava o serviço de limpeza de escolas municipais e prédios públicos. O fornecimento de merenda escolar, alvo de diversas denúncias de irregularidades por parte da terceirizada SP Alimentação, também levou o município a anunciar o rompimento do contrato, de R$ 10,4 milhões por ano - ainda não consumado.


''Confesso que não se imaginava esse volume de trabalho na área jurídica. Algumas coisas vinham acontecendo de forma errada e tivemos que encaminhar soluções'', afirmou o advogado Nilso Paulo da Silva - que acumula os cargos de procurador do Município e secretário de Gestão Pública. Na CMTU, a contratação da empresa Seleta para poda e capina de áreas públicas urbanizadas, em substituição à Visatec, também está sendo questionada judicialmente.


Hoje a procuradoria do município é responsável pelo acompanhamento de 75 mil processos. ''A maior parte se refere às execuções fiscais, mas tem muita coisa relacionada a indenizações, ações trabalhistas e desapropriações'', contou Nilso Paulo.


Perfil

Quem é José Roque Neto
Nascido em 1960, em Ibitinga (SP)
Fez seminário em Rio Claro (SP) e em Londrina
Gravou, em 1992, o CD ''À Santa Maria de Deus''
Foi ordenado padre em 1995
Em 2008, elegeu-se vereador com 2.708 votos - o sexto mais votado da atual legislatura
Em 1º de janeiro de 2009 elegeu-se presidente da Câmara Municipal de Londrina
Em 2 de janeiro de 2009, toma posse como prefeito interino de Londrina


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