A rebelião de 40 horas registrada entre domingo (24) e a madrugada desta terça-feira (26) na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC) mudou a rotina dos 1.150 detentos da unidade dois da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2).
Os presos da cadeia londrinense estão sem banho de sol desde o final de semana e com os cursos profissionalizantes e as aulas suspensos. As restrições devem continuar até a próxima segunda-feira ( (1º de setembro). "A informação é de que o motim poderia ocorrer em prisões de Cascavel e Londrina, que vivem situações precárias e de superlotação semelhantes. Os agentes estão apreensivos. Todo cuidado é pouco", destacou o diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindarspen) do Paraná, Edevaldo Ramos.
O grande problema da PEL 2, na avaliação do sindicalista, é a chamada "muralha", um local espefícido do presídio usado por pessoas de fora para o lançamento de celulares e armas aos detentos. "A coisa é tão gritante que já foram apreendidas seis escadas. Os suspeitos usam os acessórios para 'escalar' os muros e jogar o material para dentro da penitenciária", explicou Ramos.
De acordo com o diretor, os detentos recebem "de tudo". "Já apreendemos 800 celulares com eles desde o início do ano, além de chaves de fenda, serras, facas, brocas e estoques", listou. "As condições de trabalho estão horríveis. Tem agente penitenciário cuidando de até 13 presos, sendo que o número-limite, estabelecido pelo próprio Governo do Estado, é de cinco detentos", acrescentou.
O Bonde entrou em contato com a Secretaria Estadual de Justiça atrás de mais informações sobre o risco de rebelião, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem.