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Mãe recupera bebê roubado após oferta falsa de emprego

BBC Brasil
25 mar 2011 às 21:21

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Uma paraguaia conseguiu reencontrar a filha sequestrada na Argentina após uma falsa oferta de emprego.

Sandra Portillo, de 19 anos, reencontrou na quarta-feira em Buenos Aires a filha de 7 meses, sequestrada no ano passado por uma quadrilha formada por paraguaios e argentinos.

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Atraída por uma falsa promessa de emprego, Portillo desembarcou na Argentina em setembro com a filha, Liz Sebastiana, quando esta tinha pouco menos de dois meses de idade.


Pouco depois, seus supostos empregadores disseram que ela deveria deixar a bebê numa clínica para fazer alguns exames.


Ela os obedeceu e em seguida foi sequestrada. "Passei duas semanas sequestrada e consegui fugir e denunciar o roubo da minha filha à polícia", disse Portillo, às lágrimas, durante uma entrevista coletiva.


Enquanto isso, segundo os policiais, Liz foi vendida para um casal argentino.


"Eu já não tinha mais esperanças. E quando me ligaram eu demorei a acreditar que fosse verdade. Liz está muito maior do que quando nos separamos", afirmou, abraçada à menina.


Sem esperanças


O reencontro foi no Palácio de Justiça, na capital argentina. "Foi impressionante. Todos choramos. O juiz, a secretária, eu, a mãe. Todos. Foi emocionante", disse o delegado Ricardo Arancedo, da Divisão de Delitos contra Menores da Superintendência da Polícia Federal.


Na ocasião, Portillo contou à imprensa que é mãe solteira e que morava em um bairro carente de Assunção, capital do Paraguai. Um vizinho, também paraguaio, ofereceu-lhe o falso emprego em Buenos Aires.


A exemplo de tantas outras paraguaias que vivem na capital argentina, a suposta oferta era para trabalhar como doméstica em casas de família.


A paraguaia disse que os três – ela, a bebê e o vizinho – viajaram de ônibus de Assunção a Buenos Aires.


O delegado explicou como o vizinho e os supostos empregadores enganaram a jovem.


"Ela concordou (em levar a filha à clínica) e a médica que atendeu a bebê disse que a menina tinha asma e deveria ficar internada. Mas a médica era uma das donas do estabelecimento e fez uma certidão (falsa) para que a bebê fosse adotada por um casal argentino."


Segundo Arancedo, a mãe da criança foi levada para um hotel e de lá para um bairro afastado nos subúrbios de Buenos Aires, chamado Cidade Oculta, de onde conseguiu fugir e telefonar para familiares.


"Liguei para minha cunhada e contei tudo o que tinha acontecido e depois procurei a polícia", disse.


Escutas


O delegado afirmou que escutas telefônicas permitiram localizar os acusados, desvendar a quadrilha e achar a bebê.


No mês passado, a polícia encontrou uma bebê que já tinha identidade argentina, com pessoas suspeitas, e determinou exames de DNA que indicaram que ela é "99,9%" filha de Portillo.


Cinco pessoas foram presas, entre elas, os donos da clínica na localidade de Wilde e o casal que tinha pago pela bebê.


"O reencontro foi impressionante. Todos choramos. O juiz, a secretária, eu, a mãe. Todos. Foi emocionante", disse o delegado.

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Portillo disse que ainda não sabe se continuará em Buenos Aires ou se retornará para Assunção. Ela também contou que nunca mais viu o vizinho que tinha lhe prometido "emprego".


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