O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) lançou, nesta quinta-feira (13), uma experiência imersiva que simula a passagem de um tornado e ensina, de forma interativa, como agir diante de um evento extremo. A tecnologia utiliza óculos de realidade virtual e coloca o usuário dentro de uma residência prestes a ser atingida pelos ventos.
A novidade foi apresentada oficialmente em Cambé (Região Metropolitana de Londrina) e em Palotina (Região Oeste), durante a passagem da Carreta da Inovação, iniciativa promovida em parceria com a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial. Em Cambé, centenas de alunos das redes municipal e estadual acompanharam a demonstração e puderam testar os óculos.
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Durante a simulação, o usuário precisa seguir uma série de orientações de segurança. A experiência começa com a busca pelo celular para receber os alertas da Defesa Civil. Em seguida, é necessário fechar portas e janelas e desligar o disjuntor de energia, reduzindo o risco de choques elétricos. Quando o tornado se aproxima, o usuário deve procurar um local protegido da residência. Ao final, a simulação mostra os estragos provocados pelos ventos, com cômodos como a sala e a cozinha completamente destelhados.
De acordo com Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar, pelo menos dez tornados já foram registrados no Paraná neste ano. Os episódios mais recentes ocorreram em Candói (Região Oeste) e Piraí do Sul (Campos Gerais), deixando imóveis destruídos e pessoas desabrigadas.
Tarso explica que a atuação do Simepar diante desses eventos ocorre em duas frentes: a previsão e o monitoramento das condições meteorológicas e a preparação da população para enfrentar situações extremas.
Segundo ele, apesar dos avanços tecnológicos, não é possível prever com muita antecedência o momento exato em que um tornado será formado e atingirá determinada região. Em geral, o intervalo pode ser de apenas cinco ou seis minutos.
“O que nós conseguimos é prever que vamos ter naquele momento células importantes que vão propiciar uma condição que pode levar ao tornado”, explica.
O diretor-presidente cita que a dificuldade também é enfrentada em regiões dos Estados Unidos, como Oklahoma, onde tornados são frequentes. A formação específica do fenômeno, portanto, não pode ser determinada com grande antecedência.
Um dos exemplos mais extremos registrados recentemente no Paraná ocorreu em Rio Bonito do Iguaçu, em 7 de novembro de 2025. O tornado atingiu 418 km/h, foi classificado como F4 na Escala Fujita e destruiu cerca de 90% da cidade, que tinha quase 14 mil habitantes. O desastre deixou seis mortos e mais de 700 feridos.
Diante da dificuldade de antecipar esses eventos, o Simepar também busca preparar a população para agir rapidamente quando os alertas são emitidos. A orientação é acompanhar canais oficiais, como o próprio Simepar e a Defesa Civil, além de ficar atento aos alertas enviados diretamente aos celulares.
Durante um tornado ou vendaval, a recomendação é procurar o local mais protegido e estruturado da residência, que geralmente pode ser o banheiro. Também é importante manter distância de árvores, postes, estruturas e outros objetos que possam ser derrubados pela força dos ventos.
A experiência em realidade virtual foi desenvolvida principalmente para crianças e adolescentes. A ideia é utilizar a interatividade para facilitar a compreensão das medidas de segurança e fazer com que esse conhecimento também chegue às famílias.
Para Tarso, a tecnologia poderá ser ampliada para outros tipos de situações. O Simepar pretende desenvolver novas experiências imersivas, incluindo simulações de enchentes e enxurradas.
“Esse é o primeiro de muitos que nós queremos ter para preparar a população para um momento de evento extremo”, afirma.