Doze policiais militares do Paraná foram afastados das atividades operacionais nesta sexta-feira (16), durante a Operação Zeitgeist, que investiga o compartilhamento de vídeos e imagens de tortura e outras cenas de violência envolvendo pessoas abordadas por agentes de segurança. A ação cumpriu 28 mandados de busca e apreensão em 12 municípios, com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Segundo a PM (Polícia Militar), a investigação começou em junho, após uma denúncia anônima recebida pela Corregedoria-Geral. As apurações identificaram indícios de que policiais teriam enviado registros produzidos durante ocorrências a um perfil em redes sociais. Parte do material era publicada em páginas abertas, enquanto versões mais completas eram disponibilizadas em grupos restritos, inclusive mediante pagamento de assinatura.
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Em coletiva de imprensa, o subcomandante-geral da PMPR, coronel Paulo Renato Aparecido Siloto, afirmou que 42 policiais foram identificados nas fases iniciais da investigação por participação ativa ou não no grupo. Desse total, 12 foram afastados das atividades operacionais, incluindo um oficial de gestão. De acordo com Siloto, o jovem que administrava o grupo no Telegram entrava em contato e negociava com os PMs.
“Esse cidadão convidava os policiais militares pelo Telegram e eles compartilhavam as imagens. Não necessariamente essas imagens eram produzidas no Paraná”, afirmou o subcomandante. Segundo ele, as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos.
Questionado sobre a preocupação da PM pelo envolvimento de pelo menos 42 policiais, Siloto ressaltou que "o envolvimento de um policial já preocupa o comando". "Para a instituição, interessa prestar um bom serviço à sociedade [...] A PM, quando toma conhecimento dos fatos que envolvem questões disciplinares dos nosso policiais, toma todas as medidas necessários para inibir isso. Os policiais que executam esse tipo de ato devem ser punidos", disse.
Celulares e computadores
Os mandados foram cumpridos em Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Almirante Tamandaré, Cerro Azul, Guarapuava, Pato Branco, Mandaguaçu, Nova Esperança, Paranavaí, Francisco Beltrão e Umuarama. Também houve diligência na residência de um policial militar do Paraná que mora em Santa Catarina.
Durante a operação, foram apreendidos 26 celulares, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois discos rígidos (HDs) e um cartão de memória. Uma arma de fogo e munições de diferentes calibres também foram recolhidas.
Três pessoas foram detidas em flagrante durante o cumprimento dos mandados: duas por suspeita de porte irregular de munição e uma por porte ilegal de arma de fogo, conforme a PMPR.
A corporação informou que a operação busca identificar a origem dos conteúdos compartilhados, reunir provas e individualizar as possíveis condutas irregulares. As medidas cautelares foram autorizadas pela Vara da Justiça Militar Estadual do Paraná.
Investigação
O caso ganhou repercussão em julho, após uma denúncia apresentada pelo deputado estadual Renato Freitas (PT) e a publicação de reportagens sobre a comercialização de imagens de violência. O Portal Bonde teve acesso a conteúdos disponibilizados no grupo do Telegram, com registros de homens sendo agredidos e mortos por pessoas com uniformes da PMPR.
A investigação também apurava a atuação de um jovem de 22 anos apontado como administrador de páginas que direcionavam usuários para o grupo privado. Segundo informações divulgadas anteriormente pela Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública), o acesso ao material era comercializado por meio de pagamentos via Pix.
As novas investigações buscam esclarecer, entre outros pontos, se policiais participaram diretamente da produção das imagens ou apenas do compartilhamento dos arquivos. A PMPR ressalta que a investigação permanece em andamento e que a eventual responsabilização será analisada individualmente, conforme as provas reunidas.