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Conteúdo vendido no Telegram

Gaeco vai investigar imagens de supostos PMs do Paraná torturando pessoas

Bruno Souza - Redação Bonde
31 jul 2026 às 15:59

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Reprodução
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O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) vai investigar a comercialização de imagens que mostram cenas de extrema violência, incluindo supostos casos de tortura praticados por policiais militares do Paraná. O crime é apurado em conjunto com a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) e repercutiu nas redes sociais após denúncia feita pelo deputado estadual Renato Freitas (PT).


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O Portal Bonde teve acesso ao conteúdo vendido no grupo privado no Telegram e confirmou a existência de vídeos e fotos com cenas chocantes. Em parte dos registros, aparecem homens sendo agredidos e mortos por supostos agentes vestidos com o uniforme da PM, com a bandeira do Paraná fixada no braço.


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Dono do grupo


A investigação também apura a atuação de um jovem de 22 anos, apontado como administrador da página "Grupo Vip da Gurizada", utilizada para promover o grupo "Militar do Paraná", que disponibilizava os conteúdos de tortura. Segundo o secretário da Sesp, coronel Hudson Teixeira, o jovem não possui qualquer vínculo com a PM e já foi identificado pelos setores de inteligência. O município onde ele reside, entretanto, não foi divulgado. 


Em um dos registros que a reportagem teve acesso, o jovem mandou um áudio para o grupo anunciando novidades aos assinantes. "Fala, gurizada. Vocês tão bão [SIC]? Estamos marcando os conteúdos e arquivos e logo vamos soltar aqui, fechou? Só aguardem que estamos selecionando uns mais... Vamos soltar umas coisas mais bombásticas aí. Tamo junto, gurizada. Um beijo do Adm [Administrador do grupo]".


Segundo o secretário, a apuração começou ainda em junho"Tão logo essa ocorrência chegou ao conhecimento da PM, em 3 de junho, de imediato foi instaurado um procedimento investigativo preliminar para analisar os fatos. No dia 23 de junho, foi instaurado um Inquérito Policial Militar, com acompanhamento do Ministério Público Militar e Gaeco", afirmou.


De acordo com Hudson, o grupo utilizava uma página no Instagram para atrair interessados e direcioná-los ao Telegram, onde o acesso ao material era vendido mediante pagamento via Pix. O valor cobrado para entrar no grupo seria R$ 20.


"Dessa página ele passava para uma conta no Telegram, onde era feito o depósito no Pix desse rapaz. Agora, estamos num processo de depurar todos esses dados e vídeos para ver quem está neles, se há alguma IA [Inteligência Artificial] e se os vídeos são legítimos para apurarmos as responsabilidades, a fim de que sejam separados os crimes de origem militar dos crimes que envolvem a participação de civis", declarou o secretário, em coletiva de imprensa.


Apuração


A denúncia encaminhada ao Ministério Público foi apresentada pelo deputado Renato Freitas (PT), que afirmou ter ingressado no grupo para verificar o conteúdo antes de acionar as autoridades. Segundo ele, o acesso ao material permitiu reunir provas suficientes para fundamentar a representação.


Em nota, o Ministério Público do Paraná se limitou a dizer que os fatos são investigados pelo Gaeco. O órgão ressaltou que o procedimento tramita sob sigilo e, por isso, não pode fornecer mais detalhes.


Já a Sesp afirmou que "não compactua com qualquer ação que afronte a legislação vigente e a dignidade humana" e garantiu que, caso seja confirmada a participação de policiais militares na produção ou compartilhamento das imagens, os envolvidos serão responsabilizados.


Além da origem dos vídeos, a investigação busca esclarecer se houve participação direta de agentes públicos nas gravações e na comercialização do conteúdo. 


OUÇA O ÁUDIO DO ADMINISTRADOR DO GRUPO ABAIXO: 

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