A candidata a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos (PSB), Marina Silva, evita falar de cenários de um possível segundo turno, mas chamou de "passo atrás" uma possível vitória eleitoral do PSDB e de "ficar onde se está" a reeleição da presidente Dilma Rousseff, do PT.
Em entrevista ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, Marina não respondeu a quem apoiaria em um segundo turno entre o tucano Aécio Neves e Dilma, nem disse se seu grupo Rede Sustentabilidade teria independência para decidir um apoio distinto do adotado pelo PSB, repetiu apenas que "segundo turno a gente discute no segundo turno" e que "se Deus, quiser e o povo brasileiro" ela e Campos devem chegar à reta final da disputa.
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A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente justificou sua confiança na vitória pelo desejo da população de encontrar uma alternativa à polarização entre PT e PSDB. "A sociedade brasileira começa a trabalhar muito fortemente com o desejo de mudar, mas mudar de uma forma que não seja eliminando tudo aquilo que conquistamos. Nem quer ficar onde está, nem quer dar um passo atrás, quer dar um passo a frente, por isso que nós vamos estar no segundo turno", disse Marina. "O que simboliza o passo atrás é voltar para o PSDB, o que simboliza ficar aonde se está, com risco de volta da inflação, baixo crescimento e elevação de juros, toda essa dificuldade na agenda de energia, problemas na qualidade da saúde, educação, segurança pública, ficar onde está é com Dilma e dar o passo a frente é escolher aquele que está se comprometendo a manter as conquistas sem que isso signifique ter uma atitude complacente com os erros", completou.
Sobre o avanço de Aécio Neves nas pesquisas, enquanto ela e Campos ainda têm dificuldade de ultrapassar a marca de dois dígitos na preferência do eleitorado, Marina disse que a equipe de campanha trata a questão com "tranquilidade" e classificou de "ansiedade" a expectativa daqueles que esperavam que eles já tivessem um resultado mais expressivo de intenções de voto. Marina lembrou a campanha de 2010, quando, como candidata à Presidência pelo PV, aparecia estagnada nas pesquisas e surpreendeu nas urnas. "Nem sempre quem sai na frente termina na primeira posição", afirmou.
Segundo Marina, a chapa pode crescer com o início da exposição dos programas eleitorais, dos debates e da cobertura equânime por parte da mídia das principais campanhas presidenciais. "As pessoas vão gradativamente se convencendo da alternativa da aliança Eduardo Campos e Marina Silva", disse.
Para Marina, os altos índices de votos brancos, nulos e indecisos não acontece por desinteresse do eleitorado em relação à política. "Mais de 50% dos que não se vincularam a uma candidatura não é por alheamento, mas por exigência. As pessoas querem poder avaliar propostas", afirmou. "Querem se sentir parte e coautor das propostas." Marina afirmou que os grandes partidos fazem um diálogo unilateral com os eleitores e tratam as eleições como se fossem um plebiscito.
Marina repetiu ainda não concordar com a "ideia da velha política de transferir votos como se fossem propriedade", referindo-se à crítica de demora para trazer seus votos de 2010 para as intenções de voto em Eduardo Campos, em 2014. "Os vinte milhões de votos (nas eleições de 2010) não são meus, são dos cidadãos", afirmou.