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Principal delator pode revelar fatos novos em interrogatório

Loriane Comeli - Equipe Folha
07 mar 2016 às 10:38
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No segundo semestre de 2014, quando era inspetor regional de fiscalização da Delegacia da Receita Estadual de Londrina, o auditor Luiz Antonio de Souza, principal delator do esquema de corrupção no órgão fazendário, preso há mais de um ano, teria presenciado auditor de outra delegacia regional entregando dinheiro proveniente de propina ao então chefe da Inspetoria Geral de Fiscalização (IGF), Márcio de Albuquerque Lima.

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Tal fato teria ocorrido em Curitiba, na sede da Receita Estadual do Paraná, segundo afirmou na última sexta-feira o advogado de Souza, Eduardo Duarte Ferreira. "Ele, diante do juiz, vai revelar quem foi a pessoa que entregou o dinheiro e detalhar essa situação, além de contar outras situações que demonstram, de forma inequívoca, que existia uma organização criminosa chefiada por auditores da cúpula, em Curitiba", adiantou o defensor, referindo-se ao interrogatório do delator hoje no processo relativo à Operação Publicano 1. "A execução do esquema seria impossível sem que Curitiba anuísse."


Lima é apontado pelo Ministério Público (MP) como líder da organização criminosa. Entre janeiro de 2011 e junho de 2014, foi delegado da Receita em Londrina. Em julho de 2014, alçou uma das principais funções do fisco estadual, passando a responder pela IGF. Ficou no cargo até março de 2015, alguns dias antes da deflagração da primeira fase da Operação Publicano, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP).


A defesa de Lima não responde diretamente às acusações, mas afirma que é inverídica e infundada a denúncia, na qual 73 pessoas são rés (sendo 26 auditores) e 70 fatos criminosos são narrados. A Publicano desdobrou-se em outros três processos, que também versam sobre organização criminosa e corrupção e, no caso da terceira fase, lavagem de dinheiro.
No interrogatório de hoje, segundo Ferreira, o delator também irá mencionar fatos relativos às outras fases da Publicano, como planilhas organizadas em pendrive (alvo da quarta etapa) feitas por Souza. Era a contabilidade das propinas: quanto cada auditor recebeu, de quem e para quem o dinheiro sujo foi repassado. "Certamente, o conteúdo deste pendrive será explicitado", disse Ferreira. "Não se faz uma contabilidade se não houver necessidade de prestar contas a alguém."


Ao firmar acordo de delação premiada com o MP, Souza prestou centenas de horas de depoimentos. Estão anexados ao processo da primeira fase, 13 termos de declaração feitos em maio de 2015, que somam 78 páginas. Neles, o delator relata o suposto envolvimento de pelo menos 40 colegas – especialmente de Londrina e Curitiba – e de 60 empresas, detalhando quem foi o auditor que fechou o acordo de propina e o valor. Muitas vezes, relata até em quantas parcelas o pagamento foi feito. Em várias situações, o auditor conta que ele próprio fez o achaque.

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"Hoje, o Luiz Antonio deve repetir e detalhar como era a influência política na Receita. Isso é extremamente importante para delinear a organização criminosa. Ele vai falar de arrecadação para campanha também", adiantou Ferreira.


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