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A Lenda da VITÓRIA-RÉGIA conta o mito do amor-romântico

22 dez 2009 às 21:45
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Estava fazendo uma noite muito quente. O luar era tão claro, que se enxergava quase como se fosse de dia. Perto da lagoa havia uma importante tribo de índios, que hoje não existe mais.

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Entre os índios, havia um velho chefe, muito procurado pelas crianças, que gostavam de ouvir suas histórias.

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Como a noite estava quente e o luar muito lindo, o velho cacique havia-se sentado bem perto da lagoa, para descansar e gozar daquela beleza. Logo que as crianças descobriram que ele estava ali, foram sentar-se perto dele. Pediram que lhes contasse uma história.


O cacique, porém, estava tão distraído, admirando a vitória-régia, que nem percebera a chegada das crianças. Custou para que ele saísse daquela contemplação. Por fim, sorriu para elas.


- O que o senhor estava vendo com tanta atenção? - perguntou uma.
- Aquela estrela! Aquela bonita estrela, respondeu o cacique, apontando para a vitória-régia.

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As crianças ficaram admiradas e trocaram um olhar significativo. A vitória-régia era uma estrela? Pobre cacique!


Ele percebeu o espanto das crianças e lhes disse:


- Não tenham medo! Não fiquei doido, não. Não acreditam que a vitória-régia seja uma estrela? Então ouçam:


Faz muitos e muitos anos. Nem sei quantos. Em nossa tribo, vivia uma índia, muito moça e muito bonita, a quem haviam contado que a lua era Jaci, um guerreiro forte e poderoso.


A moça apaixonou-se por esse guerreiro e não quis casar-se com nenhum dos índios da tribo. Não fazia outra coisa sendo esperar que a lua surgisse. Aí, então, punha os olhos no céu e não via mais nada. Só o poderoso guerreiro. Muitas vezes, ela saía correndo pela floresta, os braços erguidos, procurando agarrar a lua.


Todos da tribo tinham pena da índia, pena de vê-la dominada por um sonho tão louco.


E o tempo foi passando... Contudo, o sonho não deixava a pobre moça em paz. Queria ir para o céu. Queria transformar-se numa estrela, numa estrela tão bonita, que fosse admirada pela lua. Mas a lua continuava distante e indiferente, desprezando o desejo da moça.
Quando não havia luar, a jovem permanecia aborrecida em sua oca, sem falar com ninguém. Eram inúteis os esforços dos amigos e parentes para que ela ficasse com as outras moças. Continuava recolhida, silenciosa, até a lua aparecer novamente.
Uma noite em que o luar estava mais bonito do que nunca, transformando em prata a paisagem da floresta, a moça repetiu sua tentativa. Chegando à beira da lagoa, viu a lua refletida no meio das águas tranqüilas e acreditou que ela havia descido do céu para se banhar ali. Finalmente, ia conhecer o famoso e poderoso guerreiro.


Sem hesitar, a moça atirou-se às águas profundas e nadou em direção à imagem da lua. Quando percebeu que havia sido ilusão, tentou voltar, mas as forças lhe faltaram e morreu afogada.


A lua, que era, um guerreiro forte e poderoso, uma espécie de deus, viu o que havia acontecido e ficou compadecida. Sentiu remorso por não ter transformado a formosa índia em uma estrela do céu. Agora era tarde. A moça ia pertencer, para sempre, às águas profundas da lagoa. Porém, já que não era possível torná-la uma estrela do céu, como ela tanto desejara, podia transformá-la numa estrela das águas. Uma flor que seria a rainha das flores aquáticas.
E, assim, a formosa índia foi transformada na vitória-régia. À noite, essa maravilhosa flor se abre, permitindo que a lua a ilumine e revele sua impressionante beleza branca. Durante o dia, quando iluminada pelo sol, ela se mostra rósea.


Texto extraído do livro Histórias e Lendas do Brasil (adaptado do texto original de Gonçalves Ribeiro). - São Paulo: APEL Editora, sem/data
Ilustração de J. Lanzellotti


SOBRE A LENDA


No Oriente a Lua é considerada um elemento masculino, somente após as conquistas da civilização ocidental é que a Lua passou a simbolizar o elemento feminino.


Os primeiros habitantes do Brasil considerava a Lua como elemento masculino e nessa lenda podemos assistir a influencia da civilização ocidental em nossa psique nacional.


Os europeus inventaram o amor romântico na época das grandes guerras em que os jovens saiam em batalhas para a conquista e ou defesa de territórios.
Deveria haver uma motivação para que esses cavaleiros tivessem disposição para irem de encontro a morte. Nasceu assim o amor romântico, donde a moça se postava na janela ornada de flores e balançando seu lencinho, dizia adeus ao nobre cavaleiro deitando-lhe ao coração a promessa de que em sua volta triunfal, o amor se realizaria.


Enquanto ele, nos campos de batalha, sonhava com sua amada e a promessa de seu amor, ela ficava em sonhos esperando e suspirando.
Daí a característica do amor romântico ser melancólico, sonhador, platônico, cheio de dores e febres pela ausência do ser amado.


Como na lenda da Vitória-Régia muitas mulheres e homens ainda sonham acordados com esse tipo de amor. Podendo até chegar a desenvolver a obsessão pelo seu objeto de prazer que se encontra inacessível por alguma razão.


O amor-romântico ama mais a ausência e a dor de si mesmo do que propriamente a realização do desejo.


Em sua inocência e ignorância, esse padrão de amor, atribui a uma determinada pessoa o poder de produzir e exercer a força do amor naquele que espera.


Desse modo, o desejoso fica totalmente a mercê e dependente do outro.
Na lenda a bela índia, não encontrando guarida em seu amor romântico, primeiro ficou obcecada, depois se tornou um vegetal tão longe da comunicação com outras pessoas quanto a estrela no céu. Fechou-se sobe si mesma e agora vegeta.


Narcisicamente encapsulada, não mais toca e nem se deixa tocar. Para sempre, aguarda que o ser amado lhe devolva uma parte de si mesma que, absurdamente, ela sente, em sua obsessão, ser o próprio amado. Como essa pessoa não lhe dá aquilo que deseja, ela se fecha para o mundo e conseqüentemente, o mundo lhe deve, assim quer o seu ressentimento.


Os índios representam o instintual, o espontâneo. A cultura européia que aqui se estabeleceu adoeceu os instintos com a loucura, por eles inventada, do amor-romântico.


Há uma música do Renato Russo onde ele canta a dor e a saudade, bem como a morte de um grande amor. Não se nega a essa dor e nem ao luto. Antes, acolhe o fim. Na seqüência, demonstra sua dor e no final ele já está acolhendo o novo acontecimento e o pulsar da vida sem se deixar estagnar. A vida ali o atravessa e se faz presente tanto na dor da perda quanto no continuar através do brincar com os cavalos marinhos. Confira a seguir, essa poesia rica e encantadora:


VENTO NO LITORAL
Legião Urbana
Composição: Renato Russo


De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...
Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...
Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...
Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

email: [email protected]


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