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O DOCE E TRANQUILO AMOR ENTRE HÉSTIA E HERMES

22 set 2015 às 13:52
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Héstia para os gregos e Vesta para os romanos, é a primeira filha de Réia e Crono e consequentemente a irmã mais velha da segunda geração dos deuses olímpicos e uma das principais entre as doze deusas olímpicas.

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Quando Crono engoliu os seus filhos temendo ser destronado por algum deles, Héstia foi a primeira a ser engolida pelo pai e a última a ser vomitada.

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De maneira que Héstia foi a filha que mais se familiarizou com as entranhas desse pai que significa o Tempo.


Por isso, Héstia representa o amor que sabe o momento certo de intervir, o momento certo de calar e o momento certo de se enfurecer ou colocar limite.

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Héstia sabe usar o tempo a seu favor e dispor de sua sabedoria advinda da experiência.


Héstia é a deusa da lareira, mais especificamente, ela é representada como o fogo da lareira que consagrava tanto o lar, como o templo e a cidade.


A lareira deveria ser redonda, assim como o templo de Héstia, fazendo assim do círculo o seu símbolo.


Enquanto não houvesse a lareira circular com a chama que a representava, nem o lar, nem o templo e nem a cidade estariam santificados.


Assim, Héstia é o fogo sagrado que ilumina, acolhe e aquece com sua suave presença.


O amor em Héstia é como a brasa da lareira. Queima e arde sem, no entanto, se exaltar.


Essa deusa não se interessava pela vida social do Olimpo e nem podia ser encontrada ali. Não participava nem dos romances e nem das guerras dos deuses.


Tanto na vida social quanto nas guerras e nos romances, o fogo, ou melhor, a energia que se utiliza é uma chama febril, o que não faz parte das características do fogo dessa deusa.


A deusa era encontrada em forma de fogo nos lares, templos e cidades.


O aconchego que se experimenta no lar; a união mística que se experimenta nos templos e o sentimento de pertencer a um lugar, se devem ao amor simbolizado por Héstia.


Ela é considerada uma deusa virgem, a que não se deixa penetrar por ideias ou sugestões inadequadas para si. Mesmo Afrodite, em última instância, o instinto de procriação, foi incapaz de persuadi-la e domina-la com os desejos afogueados da paixão.


Héstia não se coloca como dependente e nem mesmo deseja que alguém seja dependente dela.


O amor representado por Héstia é livre e libertador. Não subjuga e nem prende. O amor em Héstia é amor de virtude.


Poseidon o deus do mar e Apolo o deus do sol, foram induzidos por Afrodite a se apaixonarem por Héstia, no entanto, a deusa os recusou firmemente. De modo que, ao invés de um presente de casamento, Zeus lhe concedeu o privilégio de ter seu lugar no centro da casa e da cidade para receber o melhor das oferendas.


A deusa Héstia é a menos conhecida dentre os deuses olímpicos e nem foi representada em forma humana como os demais deuses.


O fato dela não ter uma forma humana, talvez represente a dificuldade em se estabelecer e praticar esse amor por ela representado. Esse amor não egoísta, que acolhe e se mostra presente independentemente de qualquer situação, um amor assim incondicional e que, no entanto, não se submete, não pode significar um amor doente conforme os amores que necessitam de dependência ou de poder.


É de fato, uma maneira de amar bastante incomum. Não oprime, não exige e não se submete.


Quando uma pessoa sente esse tipo de amor, ela possui a sinceridade e honestidade para consigo mesma. Pois, mesmo amando incondicionalmente, não significa que ficará submetida se caso a relação não estiver sendo boa.


Deixa em aberto a possibilidade de olhar bem nos olhos do outro e dizer: "Eu tenho amor por você, mas devido a essa situação que efetivamente nos separa, eu não mais me entregarei a esse amor".


Por outro lado, o ritual de celebração para a deusa Héstia se dava através dos rituais de fogo. Mas, não o fogo alto e jubiloso como o fogo do amor de Afrodite, e sim o fogo da lareira que torna o ambiente caloroso e estimulante ao aconchego e tranquilidade.


Usualmente, Héstia é a parceira de Hermes, o deus mensageiro. Conhecido pelos romanos como Mercúrio. A representação mais primitiva de Hermes foi uma pedra em forma de pilar chamada "Herma".


O círculo feminino de Héstia e o pilar fálico de Hermes simbolizam a união e parceria desses deuses. Cada qual com sua posição, cada qual com seu caminho, separados e juntos somente na comunhão do amor.


Em todas as casas, enquanto a representação de Héstia se fazia em lareira circular no centro do lar, Hermes, representado pelo pilar, era colocado na entrada da casa, guardando-a e protegendo-a.


Hermes é o deus mensageiro, logo se depreende que possui facilidade em comunicação, agilidade de pensamento, inventividade e um pouco de trapaça, atributos que lhe valia a fidelidade dos viajantes e comerciantes que o reverenciavam e pediam para que sempre estivesse presente nos negócios e nas jornadas.


Junto a Héstia podemos conhecer outro aspecto desse deus que agora em forma de pilar, fixo, se propõe a cuidar e proteger a fonte de calor e de iluminação representados pela deusa.


A pessoa que se identifica com esse deus, em sua jornada de individuação, ao estabelecer contato com seu aspecto Héstia escapa da sua tendência a ser impulsivo e trapaceiro.


Do mesmo modo, a pessoa que se identifica com a deusa Héstia, ao se unir ao seu aspecto Hermes, escapa de sua tendência a se manter fechada, quase inalcançável e insociável.


Hermes agora utiliza sua capacidade mercurial. Hermes/Mercúrio voa em busca dos conteúdos sombrios e os traz à luz da consciência.


Hermes/Mercúrio viaja entre os mundos de modo a conhecer todo o território dos extremos, das verdades bilaterais. Com sua sabedoria e discernimento esse deus é capaz de misturar todos os códigos e nos guiar a sair da dicotomia para a multiplicidade.


Do mesmo modo que a substância química mercúrio só se liga aos metais preciosos, Hermes/Mercúrio nos auxilia a reconhecer o que de fato é importante e substancial para nossa jornada.


Essas divindades também apareciam ligadas nos templos.
Embora permanecessem separados, estavam relacionados tanto nas casas quanto nos santuários, inclusive com rituais de fogo para ambos.


Os arquétipos de Héstia e Hermes estão intimamente relacionados ao fogo sagrado.


Hermes-Mercúrio simboliza o espírito alquímico e transmutador do fogo elementar. De modo que Hermes é o elemento alquímico que acende o fogo que está no centro e que é representado por Héstia.


O espírito ágil de Mercúrio acende o mundo das idéias que irão excitar os sentimentos mais profundos.
Hermes-Mercúrio é o elemento alquímico que incita de vida à pedra quando ela se abre para ele.
A pedra antes de acolher Mercúrio é tão somente uma pedra. Ao receber o elemento transformador, a pedra se transmuta em Pedra Filosofal que nada mais é do que o CORPO sensibilizado pela razão e sentidos, o cadinho alquímico de toda e qualquer transformação.


Hermes possibilita colocar em palavras aquilo que se sente e dar a forma ao mundo das idéias.


A união entre ambos simboliza a inteligência sensível que usando a chama do amor utiliza a espada da razão para concretizar o conhecimento em forma de ação no mundo.


Um casamento onde um é Héstia e o outro é Hermes perfaz uma sólida e calorosa relação em que ambos são independentes em suas potências e capacidades.


O fogo acalentador de Héstia somado à volatilidade mercurial perfaz o par do amor sereno e sábio.


Lunardon Vaz

Bibliografia consultada:
- As Deusas e a Mulher de Jean Shinoda Bolen
- Os Deuses e os Homens de Jean Shinoda Bolen
- Psicologia e Alquimia de Carl Gustav Jung
- A Psicologia da Figura do Trickster de Carl Gustav Jung


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