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A SUBLIMAÇÃO no processo da psicologia alquímica

27 jun 2015 às 23:18
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A Sublimatio ou Sublimação é a operação que pertence ao ar.
O material a ser sublimado é transformado em ar por meio de sua elevação e volatização.

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O termo sublimação vem do latim sublimis que significa elevado. Em termos psicológicos significa que um dado material psíquico pode passar de um conteúdo sombrio para um estado refinado, sublimado e leve perdendo, na transformação, seu aspecto negativo.

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Um sólido ao ser aquecido passa para o estado gasoso e sobe até a borda do vaso, onde volta a assumir o estado sólido na região superior e mais fria.


Significando que o conteúdo psíquico ao ser percebido e trabalhado pelo ego que é o vaso, chega à sua borda, chega à consciência e por isso assume novamente um estado sólido só que desta vez já não está na região inferior da inconsciência, tornou-se superior por ser consciente e tornou-se mais frio por haver perdido a paixão ou os afetos que o tornavam quentes, exatamente por que o ego acolheu o conteúdo e o transformou devido a tomada de consciência e enfrentamento ao problema.

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O aspecto essencial desta fase alquímica é de
elevação de uma substância inferior que se traduz numa forma superior após um movimento ascendente.


A terra se transforma em ar, um corpo fixo se volatiza e aquilo que está embaixo fica em cima. O material se torna perfeito mediante sua espiritualização. Entendo que espiritualização significa utilizar-se da sensibilidade emocional, afetiva e psicológica bem como do acompanhamento da razão para o entendimento e finalização da transformação.


O movimento ascendente que proporciona tal estado significa o trabalho consciente, assíduo e suado que se faz lidando-se com as águas (emoções e conteúdos inconscientes) e com a alma (relações/sentimentos), que ao ser "retirado" do próprio corpo torna-se espiritual, ou seja, colocando-o ao alcance do espírito,
que, por sua vez, contém a alma dos corpos (relações/sentimentos). Nessa relação, unindo-se conteúdo mais raciocínio, cria-se o estado elevado do conteúdo que, por ser assim, já se modifica.


O simples fato de encontrar palavras e conceitos ou mesmo símbolos adequados que possa exprimir o estado psíquico é suficiente para que o indivíduo se afaste dele o bastante para observar e lidar com o problema concreto. Ao observá-lo objetivamente o observador fica "acima" dele para depois voltar a nele mergulhar. Essa operação é transformativa posto que o conteúdo será sublimado.


Quanto mais alto nos elevarmos através do pensamento, mais veremos de forma ampla, porém não registramos e nem vivenciamos as particularidades, diferenças e empatia. Cria-se uma ampla perspectiva de visão, mas, ao mesmo tempo, estamos distantes e impotentes para agirmos sobre o percebido.


De modo que, os expectadores podem ser magníficos, porém ineficientes no processo transformativo da vida. É necessário o confronto emocional.


No conceito psicanalítico de Freud, a sublimação é o processo de modificar um impulso instintivo em conformidade com as exigências da sociedade, substituindo um instinto julgado negativamente por outro mais socialmente apropriado. Por exemplo: um desejo impróprio como comer a cada quinze minutos pode ser substituído pelo prazer de tocar piano.


Na alquimia, utilizamos o conceito de sublimação de Jung em que a sublimação é parte da arte real em que é feito o verdadeiro ouro. Aqui a sublimação não se trata de substituição de um instinto pelo outro, mas sim o enfrentamento àquele instinto numa relação direta com a consciência produzindo então a verdadeira transmutação.


O instinto que se apresenta será ouvido, assistido e conscientizado. Ele mesmo transmutado.


Para tanto o ego se defrontará com medos, contradições, preconceitos, dores, ansiedade e angústia, mas todo ego possui força o suficiente para fazê-lo, dependendo tão somente de quanto o ego dispõe de energia psíquica para tal.


Esta é a Arte Maior da alquimia. Este é o processo de individuação, a diferenciação e a participação efetiva no mundo.


O procedimento nos remete ao estado dissociativo, à capacidade de ficar acima das coisas e de ver a si mesmo com objetividade, ser expectador reflexivo de si mesmo. Porém, quando levada a extremos, cada operação alquímica é um risco por que possui sintomatologia patológica. Nesse caso, a sublimação extremada, que antes poderia ser a fonte de conscientização, torna-se a causa de um mergulho ainda maior na inconsciência só que pelo inverso: ao invés de ficar tudo muito inconsciente fica tudo muito racionalizado e elevado à questões religiosas.


Sabe-se que a sublimação "inferior" sempre ocorre com a descida aos instintos, no entanto a sublimação "superior" equivale à translação final para a eternidade. Leia-se eternidade como um eterno transmutar, o eterno fluxo de vida, pois assim que um conteúdo é absorvido pelo ego, outro já está se manifestando.


A energia psíquica é fluxo de vida e vida é dinâmica. Por outro lado, a psique não reconhece a finitude o que pode servir para a individuação do sujeito ou para uma parada no pensamento místico.


A consciência individual, que em última instância significa a percepção individual, portanto subjetiva, da totalidade é um produto psicológico de um processo vivenciado em um espaço-tempo no caminho da individuação.
Assim, tornar-se eterno é ainda uma idéia misteriosa que a psicologia profunda de Jung ousa acrescentar em colaboração a idéia de que parece implicar que a transformação da consciência alcançada pelo indivíduo acresce a psique arquetípica.


No que diz respeito à sublimação inferior, estar preso no céu pode ser desastroso como confirma um dito alquímico: "sublima o corpo e coagula o espírito" escrito na Tábula da Esmeralda de Hermes.


No texto encontra-se esta frase: " ...ascende da terra para o céu e desce outra vez para a terra e recebe o poder do que está em cima e do que está embaixo. Assim terás a glória de todo o mundo. Desse modo toda a treva fugirá de ti."


A sugestão é de que a sublimatio e coagulatio se repitam alternativamente várias vezes.
Psicologicamente a circulatio é um processo em espiral evolutiva, um circuito repetido de todos os aspectos do ser e de seus conteúdos sempre revividos, num outro patamar de entendimento, revividos que aos poucos gera a consciência de um centro transpessoal, o self, que unifica os fatores em conflito sem síntese, mas de modo criador e transformativo, inclusive com a preservação das diferenças e fragmentos do indivíduo onde estes fornecem o suporte de energia para aquele e vice-versa.


De maneira que tudo aquilo que em nós evoca nossa melhor natureza e a mais elevada, encontra suporte e potência em nossas forças instintuais que por negligência ou preconceito tendemos a reprimir ou negar, bloqueando assim todo o processo alquímico.


Vá para a terra, para os instintos e depois ascende aos céus, ao sol que ilumina, à consciência racional que distingue, separa e nomeia e depois repete o processo para sempre. Quanto mais descer, mais subirá e quanto mais subir, maior será o tombo quando enfim encontrar o correlato instintual.


Bibliografia:
VON FRANZ, Marie-Louise - Alquimia, Introdução ao Simbolismo e à Psicologia - 1991 - Ed. Cultrix - São Paulo


JUNG.C.G. - Estudos Alquímicos - Obras Completas - vol. XIII - Ed. Vozes 2003 Petrópolis-RJ


JUNG, C.G. - Mysterium Coniunctionis - Obras Completas Vol. XIV/I - Ed. Vozes 1985 - Petrópolis-RJ


CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA & ESTUDOS JUNGUIANOS
Sonia Lunardon Vaz
tels.: (043) 9995.1528 e (043) 9957.0843
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