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UTOPIA SIM ESPERANÇA NÃO - sonho

31 dez 1969 às 21:33
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A CAIXA DE PANDORA

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Prometeu aquele que prevê, sempre foi um defensor dos homens. E mais uma vez compadecido com a humanidade, roubou o fogo do céu para os mortais que muito dele necessitava não apenas para sua subsistência como também para usar o fogo como símbolo de inteligência.
Zeus, o deus do Olimpo, ficou furioso com essa transgressão e entregou Prometeu ao seu filho Hefesto e a seus seguidores, Kratós e Bia (o Poder e a Violência). Estes o levaram para o deserto de Cítia e o prenderam com correntes inquebrantáveis a uma parede de um penhasco na montanha caucasiana.
Prometeu preso à rocha, de pé, sem poder dormir e incapaz de dobrar os joelhos fatigados, tinha seu fígado devorado diariamente por uma águia. Mais tarde, Prometeu foi salvo por Héracles.
Para castigar os mortais Zeus ordena a seu filho Hefestos, aquele que forja, que modele em argila uma mulher ideal e fascinante. Para torná-la irresistível, teve a colaboração de todos os deuses. Por fim, Hermes, o deus mensageiro lhe concedeu o dom da palavra e a chamou de Pandora que significa a detentora de todos os dons.
Ela estava destinada a Epimeteu, aquele que pensa tardiamente, irmão de Prometeu. Através dela, Zeus mandaria os grandes males que afligiriam a raça humana para sempre.
Diante de tamanha beleza Epimeteu a acolheu como sua noiva.
Ela trazia do Olimpo um presente de núpcias ao marido, um jarro bem fechado que ela abre na frente de Epimeteu e assim liberta todas as desgraças que haveriam de assolar a raça humana até então, ao abrigo do mal, da fadiga e das doenças. Só não saiu a esperança por que Pandora fechou o jarro com pressa.
É por isso que ainda hoje se diz que a esperança é a última que morre. Só o que se esqueceram é de que a esperança é uma das maledicências enviadas por Zeus à raça humana.


O SONHO


Após verificar as tramas de seu relacionamento e distinguir seus próprios mecanismos de defesa e de controle, bem como sua situação narcísica em relação ao afeto e de sua responsabilidade para com a aceitação e continuidade de uma relação por dependência, o sonhador teve o seguinte sonho que o auxiliou a sair dessa situação doentia e iniciar uma nova maneira de se relacionar consigo e com o outro. Sendo o sonho arquetípico, é um sonho que deve ser sonhado por todos porque traz um conteúdo reflexivo para a coletividade:


José estava numa casa, cuja estrutura, embora não lhe parecesse imponente, era sólida e espaçosa. Os móveis eram de madeira maciça e estavam dispostos de forma a criar um ar aconchegante e tranqüilo.
No centro da sala se abria uma escadaria atapetada adornada de elegantes corrimãos que ligava o andar de baixo com o de cima onde se encontravam as suítes.
José estava na sala, ao pé dessa escadaria. Ao ver ali um antigo baú, o abre como que a procura de um objeto.
Remexendo em seu conteúdo encontra um objeto de forma retangular, com os ângulos arredondados e embora fosse sólido tinha a cor e o aspecto de um pedaço de céu.
Simultaneamente, Maria, sua companheira, vem descendo as escadas.
José então, de posse desse objeto estende a mão para Maria e lhe entrega aquilo que nesse momento denomina esperança:
"Tome Maria, aqui está a esperança. Não é mais minha".

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Assim termina o sonho e o relacionamento baseado na dependência. José não mais deseja alimentar a esperança de que tudo se resolva e de que Maria passe a ser dessa ou daquela maneira. Prefere ele mesmo decidir. Diante das atitudes de Maria, lhe coube escolher se lhe agradava ou não viver o amor do jeito que ela o oferecia.


O sonho lhe deu o empurrão que faltava para que ele reivindicasse a posse de sua própria vontade.


Optou por um amor sem controle e sem jogos de poder, pois passou a pensar que o amor não existe em tais condições. Agora pensa que o que existe nessas condições é apenas dependência onde um responsabiliza o outro pelo fracasso de ambos.


É cômodo estar com alguém que não libera o afeto quando o que tememos é se abrir para ele.



HISTÓRIAS INVENTADAS, PORÉM PLAUSÍVEIS DE ACONTECER:


Um certo rapaz mantinha um relacionamento tumultuado com uma garota. Ele a amava. Ela estava sempre a lhe exigir coisas e parecia passar o seu tempo controlando cada passo que ele dava.
Por algum tempo o rapaz aceitou tal comportamento e até acreditava que seus ciúmes e controle eram frutos de seu amor por ele. Depois, ele foi verificando que esses frutos eram bem podres e passou a duvidar desse amor ciumento e controlador.


Uma garota também andava desconfiada de seu amor. É que ele não permitia nem mesmo que ela visitasse sua família em outra cidade. Agressivamente, chegou a tirá-la de dentro de um ônibus e de outra vez, escondeu sua passagem.


Para um outro casal, a questão sexual era tão difícil para ela que ele resolveu manter casos esporádicos para suportar o casamento e há aqueles que sacrificam a vida sexual para mantê-lo.


O que acontecia numa outra relação é que ela provocava o companheiro todas as vezes que este não lhe fazia as vontades. O mínimo que fazia era lembrar-lhe de que a família dele não possuía a mesma condição financeira da dela e que, portanto, ele era um "nada".


Numa outra relação, o rapaz era tão dono da esposa que ela deveria adivinhar-lhe os desejos sob a ameaça constante de apanhar caso não o fizesse. Em oposição, o outro marido é totalmente condescendente com sua esposa, contanto que não o incomode.


E também tem aquela namorada mimosa e terna que depois do casamento literalmente bate no marido por fantasiar que ele gosta mais da família de origem ou da namorada anterior do que dela.


E tem aquele casamento que é suportado em nome dos filhos, deixando para a criança o ônus da responsabilidade da infelicidade de seus pais.


E tem aquela criança que veio para suprir o vazio da mãe. Ou para ser entregue à mãe da mãe como um objeto, um presente. Desse modo a mãe espera receber via o amor da avó para com a neta, o amor e atenção que não recebeu.


Os exemplos são tantos que poderia listar mais mil. O que todos possuem em comum é o assédio moral quando não chega a ser físico, bem como a dupla mensagem: "eu te amo, eu te odeio". Requerendo na relação tanto o sádico quanto o masoquista.


Por vezes, a família toda se vê refém de uma única pessoa que mantém a todos no controle sob a ameaça de desabar uma tempestade sobre suas cabeças e ou sobre a cabecinha de uma criancinha inocente. Aí chega a Esperança de que tudo se ajeite, enquanto isso, a neurose, a depressão e outras doenças vão se instalando nas crianças envolvidas nessa trama de esperanças.


Geralmente o assédio moral que se constitui em agressões emocionais e psicológicas, é tolerado por um longo período devido a esperança de que tudo se modifique , para isso, as relações se mantém através de uma série de justificativas para com o comportamento agressivo do outro. Na grande maioria das vezes, a pessoa se submete para não gerar conflito, alimentando a esperança de que assim tudo será esquecido e magicamente resolvido.


Afora ao evidente encapsulamento narcísico de ambos, essa situação doentia se inicia e tem seu terreno fértil na esperança. A esperança de que tudo se modifique e que um dia corresponda ao sonho uma vez idealizado.


UTOPIA VERSUS ESPERANÇA



A Esperança é uma deusa romana irmã do Sono. Para os romanos, essa deusa era considerada aquela que fazia com que as pessoas ficassem alheias de seus sentidos, uma espécie de fase que antecede ao sono.


Assim, a Esperança possui uma ação narcótica que leva as pessoas à inação. Então, quando elas deveriam tomar uma atitude para se afastarem de um perigo à sua vida seja emocional seja física, acabam por ficarem meio que congeladas a espera de uma resolução qualquer.


Essa é uma armadilha enviada por Zeus que faz com que a raça humana não creia em seus próprios sentidos e sentires, deixando para algo externo as rédeas de sua própria vida.


Geralmente, a pessoa que se deixa levar pelas mãos da Esperança, não escolhe, muito pelo contrário, ela é escolhida.
Por outro lado, quando se fala em Utopia, logo se pensa em algo irrealizável ou inatingível. De fato, nos dicionários a encontramos como sinônimo de irrealizável e ou quimera.


No entanto, Nicola Abbagnano, um filósofo italiano e existencialista que viveu entre 1901 e 1990, considerou que Utopia seria o fundamento da renovação social. O termo então, passou a designar, ao contrário da ideologia que não é passível de realização, algo que não existe ainda, mas que poderá existir se os homens e mulheres lutarem para sua concretização.


De acordo com o filósofo, Utopia se tornou a força de transformação da realidade a partir de uma autêntica vontade inovadora e antes de tudo, é uma forma de ação, uma vez que provoca o pensamento crítico de forma a movimentar as pessoas em busca de um desenvolvimento ou renovação de velhos conceitos e ou atitudes convencionais, pois ela trata de desmascarar a falsidade da ideologia estabelecida.


O sonho aqui relatado pode ser resumido assim: o casamento está morto de modo que VIVA o casamento!


Ou seja, a união entre duas pessoas dentro dos velhos costumes e vícios conceituais está fadada ao insucesso.
Dizia Cazuza que adorava um amor inventado e Vinicius de Morais alertava ao dizer que era preciso inventar um novo amor.

Chega de esperança, é preciso a Utopia para a renovação dessa velha união.


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