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Entre o bem e o mal

Mídia tem efeitos negativos sobre a saúde das crianças

Redação Bonde*
09 jun 2009 às 10:10
- Reprodução
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Já é bem reconhecido que o excesso de exposição à mídia eletrônica está associado a alguns problemas de saúde entre as crianças e adolescentes quando passam a concorrer com as horas de sono, aumentando o risco de obesidade, transtornos do humor (como depressão), processos alérgicos e exacerbação de crises de asma. Mas isso é só uma parte do problema. Quando partimos para a questão da qualidade do material a que os jovens são expostos, a influência negativa pode ir muito além.

Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:

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Violência - As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modifica-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos "colaboradores".

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Sexualidade - Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.

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Drogas - Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.


Obesidade - O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos "calóricos" que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.

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Transtornos alimentares - A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.


Professores, pais, médicos, todos devem ter consciência dos potencias efeitos negativos da mídia sobre o desenvolvimento dos jovens. Essa conscientização poderia passar a ser assunto obrigatório nas escolas. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições e no caso de crianças menores de dois anos de idade, evitar a TV de uma forma geral. Os médicos, especialmente os pediatras, precisam estar mais atentos a essa questão e abordar ativamente as famílias, pois têm nas mãos uma oportunidade preciosa de orientar os pais desavisados.


Por outro lado, a mídia pode ser um forte aliado no desenvolvimento dos jovens, tanto em casa, na escola como na rua. A questão principal é que ela seja de boa qualidade e que não sacrifique as outras atividades, como por exemplo, a atividade física. Quando se percebe que crianças e adolescentes passam mais tempo na mídia eletrônica do que na escola ou em qualquer outro tipo de atividade de lazer, alguma atitude precisa ser tomada.

*Por Ricardo Teixeira, médico neurologista que dirige o Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) e dedica-se ao jornalismo científico. É também titular do Blog "ConsCiência no Dia-a-Dia" www.consciencianodiaadia.com.


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