Pesquisar

ANUNCIE

Sua marca no Bonde

Canais

Serviços

Publicidade

Madrasta deve ser amiga, não substituta

Redação Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33

Compartilhar notícia

siga o Bonde no Google News!

''Mãe que maltrata os filhos, pouco carinhosa, que traz dissabores e tristezas''. Esta é a definição que o dicionário Michaelis traz para o termo madrasta - uma lição que Renato (Gabriel Sequeira), o enteado problemático da novela ''Duas Caras'', da TV Globo, aprendeu na prática. Silvia (Alinne Moraes), que até já tentou matar o garoto afogado, tem personificado a imagem da mulher perversa que enfeitiçava maridos nos contos de fadas.

No Brasil real, povoado por 11 milhões de descasados, ex-casais, filhos e novos companheiros de pai e mãe se esforçam para equilibrar a complicada equação que transforma o triângulo familiar em um quadrado nem sempre harmônico. Quando o assunto é a relação entre enteados e madrastras quase sempre há uma forte carga emocional que envolve a questão.

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.


De acordo com a última sondagem do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 61,9% das separações judiciais acordadas em 2003 envolviam filhos menores de 18 anos. Não é à toa que psicólogos, especialistas e escritores têm discutido intensamente a inclusão dessas crianças na arquitetura multinuclear da nova família, marcada por pais e mães que se casam novamente e agregaram outras figuras ao lar original.


''Meu sonho é ver a personagem Silvia sentada no sofá, lendo o meu livro'', brinca a terapeuta familiar Roberta Palermo, autora da obra ''100% Madrasta - Quebrando as barreiras do preconceito''. ''A novela mostra apenas o mau exemplo que a madrasta está dando em cena, mas não apresenta soluções para os conflitos naturais que a relação com os enteados pode provocar'', completa.


Presidente da Associação das Madrastas e Enteados, Roberta discute o assunto pela segunda vez. Em 2002 publicou ''Madrasta: Quando o homem da sua vida já tem filhos''. ''Como vivi a experiência de madrasta dos dois lados pude criar uma boa visão do assunto. Tive uma madrasta quando era criança e hoje sou madrasta de Tiago e Júlia, de 17 e 13 anos.''


Doutora em psicologia clínica pela PUC (Pontifícia Universidade Católica)e especialista em terapia de família, Maria Luiza Puglisi Munhoz diz que os conflitos entre enteados, madrastas e maridos nascem de ciclos de insegurança: o filho tem medo de perder espaço junto ao pai, a madrasta vê a criança como ameaça pelo vínculo que ela representa com a ex-mulher e o pai sente-se culpado por já não estar plenamente presente na vida do filho. ''Sentimentos mal resolvidos geram instabilidade. Se cada pessoa procura resolver sua própria insegurança ao invés de depositá-la no outro, a situação fica menos complicada'', garante.


Maria Luíza, autora da obra ''Casamento: rupturas ou continuidade dos modelos familiares'', acredita que as madrastas têm em mãos um trunfo poderoso. ''A segunda mulher geralmente é mais jovem, estará mais próxima da idade do filho, facilitando a identificação. Ela conhecerá as músicas que a criança gosta, estará por dentro das novidades. Deve demonstrar uma disposição interna para gostar da criança, mas isso não pode soar falso.''

Cadastre-se em nossa newsletter

Na opinião do médico Fabiano Hueb, que acaba de lançar o livro ''Filhos de pais separados também podem ser felizes'', a harmonia entre os filhos do primeiro casamento e a madrasta depende do grau de amizade e respeito que o casal separado consegue manter. ''É preciso deixar claro para as crianças que a madrasta não vai substituir a mãe, será uma amiga'', diz.


Últimas notícias

LONDRINA Previsão do Tempo

Portais

Anuncie

Outras empresas