Pesquisar

Canais

Serviços

- Gustavo Carneiro/ Arquivo Folha
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Inclusão

UEL lança Guia Técnico sobre detentos que frequentam cursos de graduação

Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
25 ago 2021 às 09:55
Continua depois da publicidade


A UEL concretizou mais uma ação afirmativa e inclusiva, com a publicação do "Guia Técnico – O que precisamos saber sobre a presença de estudantes privados de liberdade na UEL?" O documento foi desenvolvido pela CAAEPL-UEL (Comissão de Acompanhamento e Avaliação dos Estudantes com Privação de Liberdade), vinculada à PROGRAD (Pró-reitoria de Graduação), composta por representantes de órgãos da Universidade, das instituições prisionais e dos Colegiados de cursos, e que vem trabalhando desde agosto do ano passado.

Continua depois da publicidade

O Guia apresenta uma grande quantidade de informações, dirigidas à comunidade universitária, sobre a realidade da população carcerária brasileira e de estudantes privados de liberdade, além de orientações à comunidade da UEL e até um glossário com termos jurídicos e outros. O documento informa, por exemplo, que em 2019 havia 748 mil pessoas (96% homens) em cumprimento de pena (quase a metade – 48% – em regime fechado), número curiosamente próximo da população universitária no Brasil – 767 mil. Cabe anotar que cerca de dois terços dos presos eram pretos e pardos, e mais de 60% entre 18 e 34 anos.

Continua depois da publicidade


Um dos destaques do Guia é a apresentação das 10 principais dúvidas em torno da presença dos estudantes em privação da liberdade que frequentam a UEL. A maioria é acadêmica, mas nem todas. O documento esclarece sobre o regime prisional dos alunos; explica que eles também fazem vestibular para ingressar na instituição (ou ENEM); que para a Universidade não importa o crime que os levou à pena; que os estudantes nesta condição devem obedecer a regras de horário e território; as dificuldades neste cenário de ensino remoto considerando as limitações de acesso à Internet; que os alunos podem fazer estágio, quando previsto no currículo, assim como podem participar de projetos e atividades, desde que com autorização judicial. Fechando, aborda as principais dificuldades enfrentadas pelos alunos privados de liberdade, como as financeiras, emocionais, domínio de tecnologias e Internet, e a diferença entre as dinâmicas da prisão e da Universidade.


O Guia traz ainda orientações especialmente dirigidas aos coordenadores de Colegiados de curso, corpo docente, colegas de turma e à comunidade universitária em geral, no sentido de que todos podem colaborar, cada um em seu âmbito, para acolher e auxiliar os estudantes vindos do sistema prisional. Isso inclui toda uma estrutura da UEL em favor deste acolhimento, como o SEBEC (Serviço de Bem-Estar à Comunidade), NAC (Núcleo de Acessibilidade da UEL) e NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros). É importante salientar que cabe ao estudante decidir se diz ou não que é uma pessoa em privação de liberdade.

Continua depois da publicidade


Inclusão – Para a pró-reitora de Graduação da UEL, professora Marta Favaro, o Guia dá visibilidade ao trabalho da Comissão e marca mais uma ação importante no programa de inclusão da UEL. "A Comissão reflete diferentes olhares e o Guia é uma construção coletiva e que oferece apoio aos professores e coordenadores de colegiado de maneira mais articulada”, comenta a professora. Ela lembra ainda que a Comissão levou em consideração todos os protocolos do sistema prisional e destacou a parceria entre a Universidade e o Poder Judiciário, tanto no acompanhamento dos estudantes quanto no estímulo ao estudo.

A UEL recebe estudantes privados de liberdade desde 2014 e teve 21 presos aprovados e chamados em primeira convocação no Vestibular 2021. Atualmente, existem 41 estudantes com matrícula ativa, em 16 cursos de seis Centros.


Continue lendo