O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgou na quinta-feira (7) carta aos prefeitos eleitos em 5.568 municípios para pedir que eles priorizem a reabertura das escolas no início de 2021.
O texto, assinado pela representante do órgão no Brasil, Florence Bauer, cita os impactos do fechamento das instituições de ensino sobre a aprendizagem, a saúde mental e a proteção social dos alunos.
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"Apesar dos esforços para organizar atividades remotas para continuidade das aprendizagens, milhões de crianças e adolescentes não foram alcançados e perderam o vínculo com a escola. Elas e eles correm o risco de abandonar a educação definitivamente. Isso vai aprofundar ainda mais as desigualdades e impactar uma geração inteira", diz a carta.
O texto menciona ainda o medo de famílias e professores de contaminação no ambiente escolar, mas cita que a experiência em outros países não demonstra isso.
O argumento é utilizado também por um movimento organizado por pediatras, que defendem que é possível reabrir o setor educacional com segurança para as crianças, uma vez que são menos propensas a desenvolver a forma grave da Covid-19 e não são, como se pensava no início, grandes transmissoras do vírus.
O Unicef defende que a forma de reabertura seja adaptada à situação local, incluindo a possibilidade de uma modalidade híbrida de ensino, em parte presencial e em parte a distância.
Relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado em setembro mostrava que, naquele momento, o Brasil já estava há mais tempo com escolas fechadas do que a maioria dos países desenvolvidos.
Desde então, em grandes cidades como São Paulo apenas uma minoria das escolas reabriu.
A gestão do governador de São Paulo João Doria (PSDB) prevê o início do ano letivo na rede estadual para o dia 4 de fevereiro, com ao menos parte da carga horária presencial, mesmo se houver alta de casos de Covid-19.
A Apeoesp, sindicato de professores, afirma que a categoria entrará em greve se isso ocorrer.
Na semana do dia 4 de janeiro, o Reino Unido decidiu fechar novamente as escolas, com exceção das que atendem crianças vulneráveis, para conter a disseminação de uma cepa mais transmissível do coronavírus. Já a França decidiu reabri-las para todos os alunos do sistema público.