Dexter reconquistou os fãs recentemente, mesmo após aquele desfecho decadente na oitava temporada da série original. Agora, a aguardada segunda temporada de Ressurreição estreou na última semana e chega com episódios inéditos às sextas-feiras, no streaming da Paramount+.
- Lanternas: saiba por que a série é boa e também a pior adaptação das HQs
- Série atualiza e expande Carrie em terror colegial para nova geração de fãs
Quando estreou, em outubro 2006, a indústria de entretenimento vivia uma revolução no horário nobre, causada, principalmente, por Twin Peaks, no começo dos anos 1990: desde então, a janela que era destinada a atrações para drama e comédia, também começou a incluir mistério e temas polêmicos — veja bem, o assassinato de Laura Palmer envolve até mesmo elementos sobrenaturais, além narrativa sobre pedofilia e incesto.
Depois de Twin Peaks, vieram várias séries mais ousadas e misteriosas, a exemplo de Arquivo X, Nip/Tuc, Lost, e, entre elas, Dexter: um assassino serial que mata assassinos seriais. O carisma do psicopata vivido por Michael C. Hall manteve enorme apelo de público e crítica desde o início até a quarta temporada, já em 2010. A obra somou múltiplas indicações e faturou estatuetas no Emmy, com troféus para John Lithgow (Ator Convidado), Steve Shill (Direção), além de Edição e Design de Abertura.
A partir da quinta temporada, contudo, a qualidade da trama caiu vertiginosamente. Diversos enredos ficaram confusos e mal resolvidos na tela. Personagens coadjuvantes de destaque, como a irmã do protagonista, Debra Morgan (Jennifer Carpenter), não conseguiram conduzir o roteiro de maneira satisfatória.
O ápice do descontentamento ocorreu no desfecho original de 2013, avaliado como polêmico e sem sentido. Críticos e fãs apontaram falhas graves, especialmente a morte forçada de Debra e a fuga inexplicável de Dexter para trabalhar como lenhador, atitude sem coerência com todo o desenvolvimento prévio.
O caminho da redenção com novos derivados
Ao longo dos anos, o próprio Michael C. Hall admitiu publicamente a frustração com aquele roteiro final. Ele concordou que a conclusão não fez jus à jornada icônica do serial killer e buscou ativamente formas de redimir a narrativa por meio de derivados.
Assim nasceram as produções New Blood, no final de 2021, e Pecado Original, em dezembro de 2024. A prequela sobre a juventude do assassino teve recepção mediana e acabou cancelada após a primeira fase. Em contrapartida, New Blood atingiu grande êxito de audiência ao entregar um clímax maduro e amplamente aceito como uma despedida digna.
Apesar da morte aparente de Dexter no último capítulo de New Blood, os recordes de audiência impressionaram executivos da emissora. Os produtores enxergaram uma oportunidade valiosa e decidiram resgatar o protagonista mais uma vez com a aprovação do projeto de Ressurreição.
Os perigos de Nova York e o novo ano de Ressurreição
Dexter: Ressurreição iniciou sua trajetória em julho de 2025. Na sinopse detalhada do primeiro ano, o protagonista acorda de um coma e viaja até Nova York. O objetivo central é reencontrar seu filho, Harrison (Jack Alcott), agora um mensageiro do Empire Hotel.
Durante os dez episódios, o assassino trabalha como motorista de aplicativo e descobre uma sociedade secreta de serial killers a partir de uma então desconhecida chamada Charley Brown (Uma Thurman). Essa organização obscura pertence a Leon Prater (Peter Dinklage), um bilionário excêntrico com o hábito peculiar de colecionar troféus macabros de criminosos famosos.
Ao longo dos episódios, Dexter precisa lidar com seu novo lar, sublocado no porão de um bairro de Nova York, enquanto foge de Angel Batista (David Zayas), antigo colega de Miami que persegue Dexter ao descobrir que ele era o assassino mais procurado na época em que trabalhavam juntos.
E, entre fugas e novas mortes, Dexter também teve que limpar a barra de Harrison, que, logo no começo dos episódios, começa a mostrar traços da herança do pai, ao matar brutalmente um agressor de mulheres. A detetive Claudette Wallace (Kadia Saraf) preenche o papel da constante vigilância policial no rastro de Dexter — e agora de Harrison.
A primeira temporada termina com a aguardada fuga de Dexter do cofre de Prater. Com auxílio do filho e alucinações de seu irmão gêmeo morto na primeira temporada da série regular, Brian Moser (Christian Camargo), o protagonista elimina o bilionário antagonista de forma definitiva e atira seu corpo no porto de Nova York. No processo, Dexter também é obrigado a matar o ex-colega Batista.
A segunda temporada estreou em 30 de outubro de 2026. Três anos após derrotar Prater, o protagonista assume novos instintos assassinos enquanto Harrison se forma na academia de polícia. Os capítulos inéditos entram no catálogo da Paramount+ todas as sextas-feiras e vão ao ar ininterruptamente até o dia 1º de janeiro de 2027.