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3ª edição do Psycho Carnival foi excelente opção durante o carnaval

15 fev 2002 às 17:28

Curitiba tem fama de ser uma cidade alheia ao Carnaval. Alguns mais radicais batizam a capital paranaense como túmulo do samba. Existe até um boato de que surgiu em um governo passado a proposta de criar um festival com shows de rock e apresentações de teatro durante o feriado. Não se sabe com certeza se este projeto realmente existiu, mas a idéia de dar um chega-pra-lá no samba e na axé music durante as folias de Momo continua forte. O Psycho Carnival confirma isso. Em sua terceira edição, o festival "carvavalesco" de psychobilly lotou o porão do 92 Degrees com mais de 300 "foliões" por dia. Todos sedentos para ouvir bom rock'n'roll com guitarras distorcidas, bateria paulada e baixo acelerado.

Muitos foram os psychobillies que vieram de outras cidades para curtir a festa, em especial de São Paulo, Londrina e Rio de Janeiro. Até mesmo um casal de holandeses cruzaram o Atlântico para conferir as bandas da cidade. Um destes convidados ilustres era P.G. Vogeli, baixista da banda Cenobites, que havia tocado no Psycho Carnival do ano passado. Ele trouxe muitos quitutes para pôr à venda no local, como CDs de bandas psycho da Europa, por apenas R$ 20. Uma pechincha, já que os CDs importados de lá são comprados no Brasil por uma média de R$ 50 a R$ 60. Em poucas horas, todos haviam sido vendidos. A propósito, havia um autêntico bazar rocker dentro do bar, onde era possível adquirir CDs, discos de vinil, compactos, camisetas oficiais do evento e bijouterias muito chiques feitas com dados.


Oito bandas apresentaram-se entre os dias 10 e 11 de fevereiro. Destas, três eram novas (Los Diaños, Skizoyds e Chernobillies) e duas estavam retornando após alguns anos paradas (Los Bandidos e Krappulas), garantindo uma renovada na escalação musical das festa psychobillies da cidade. O pontapé inicial foi dado pelo quarteto Los Diaños, cujos integrantes subiram ao palco vestidos como freiras. O vocalista RHS (da extinta banda de surf music Stanley Dix) se reveza nos vocais e no trompete, instrumento que deu um toque cartoon a sua música - um misto de psychobilly, surf music e jazz de desenho animado. A revelação do festival já havia dado suas caras.


Na seqüência, o V8 (único representante rockabilly da ocasião) colocou todo o público numa máquina do tempo para reviver o bom rock'n'roll da época das lambretas envenenadas e da brilhantina no cabelo. Figuras carimbadas da cena psycho subiram ao palco para fazer suas participações, como Tati Massacre, que fez as vezes de dançarina rocker, e o paulista Luiz Teddy, que cantou "Rock, o Azarado", sucesso da banda Coke Luxe, de seu finado pai Edy Teddy.


Usando máscaras engraçadas, o ressuscitado Los Bandidos revivieu seus primórdios, mas ficou devendo em performance. O vocalista Wallacinho estava comportado demais para quem assisitiu suas estrepolias de cinco anos atrás. O carioca Big Trep fechou a noite trazendo nova e enxuta formação, agora como trio. A surpresa foi ver o baterista Nervoso (da banda Matanza) comandando as baquetas. Psychobilly nervoso para fazer o pogo rolar solto na pista.


O nervosismo sonoro teve seqüência no dia seguinte, com Chernobillies e Skizoyds no início do oba-oba-billy. A primeira, bastante nova, aqueceu os motores da rapaziada. Já os Skizoyds (power-trio de Santa Izabel, interior de São Paulo), promoveu o agito de quem literalmente se quebrava na frente do palco. O ponto alto foi a cover de "Psychobilly is all around", dos Catalépticos, com participação do próprio vocalista homenageado, Vlad.


Os Krappulas aproveitaram para gravar um videoclipe utilizando imagens do show, que foi animado, mas careceu de uma resposta maior do público, que se mostrou um tanto frio. O grupo está se preparando para tocar em um festival de psychobilly na Califórnia em junho juntamente com Os Catalépticos, que tocaram na seqüência como banda de encerramento.

Vlad, Gustavão e Coxinha mostram muita raiva, velocidade, postura e habilidade em sua perfomance de palco. O delírio do público aumentava a cada música. As novas dominaram o repertório, tais como "Hot Rod Funeral", "Chainsaw and blood", "Freaks" e "Like in a gasoline tank". Mas havia uma brecha para velhas conhecidas como "Death train", "You must die" e "Psychobilly is all around" (mais uma vez ela), que encerrou a apresentação sem bis. "Pois estamos velhos e cansados", alegou o vocalista Vlad, todo engraçadão. No ano que vem deve ter mais folia psychobilly, já que a deste ano foi muito bem sucedida. Assim não vão desaparecer tão cedo as opções para fugir do teleco-teco e do ziriguidum nesta época de samba, suor e cerveja.


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